sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Comentário ao "Palhaço" escrito por Mario Crespo no JN.

PALHAÇO
de Mario Crespo
O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco.
E diz que não fez nada.
O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.
O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso.
O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes.
Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro.. E são iguais entre si.
O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos.
Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos.
E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa.
O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos.
O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas.
O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas.. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém.
Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem.
O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público.
E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.
Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.
O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal.
Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.
E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço.
Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.
Ou nós, ou o palhaço.

Comentário :
José Andrade :
Caro amigo Mário Crespo, o que nos acaba de relatar é toda uma descrição minuciosa da actuação do Palhaço.
Obrigado por isso pelo detalhe com que descreveu a cena da sua apresentação do Circo. Porém a sua conclusão é em meu entender profundamente errada.
Diz…ou nós ou o Palhaço.
Vejamos então.
O Palhaço cuja actuação descreve é apenas os Palhaço pobre.
Quem o introduziu em cena foi o Palhaço rico.
Quem fomentou as “palhaçadas”, que muito realisticamente descreve foi o Palhaço rico.
Foi este que deu os motes e que introduziu o guião, que leva o Palhaço pobre a actuar para a plateia do Circo.
A Plateia ri e aplaude.
O circo em sessões contínuas, está sempre a abarrotar. Todos querem ver o Palhaço rico a apresentar e induzir o Palhaço pobre a actuar. Todos continuam a rir e a aplaudir o espectáculo,
O Palhaço rico não faz rir, nem sabe sorrir, mas é ele que promove a actuação do Palhaço pobre.
No final da actuação, Palhaço rico e Palhaço pobre, tocam em conjunto, cada um com seu instrumento, a mesma música, para gáudio da assistência.
A sua conclusão, é assim um enorme equívoco.
Pode-se substituir este Palhaço, que o Palhaço rico encontrará um substituto. Talvez não tão cómico, mas terá sempre de seguir o guião do Palhaço rico.
Pode-se substituir o Palhaço Rico, mas este Circo não dispensará estas cenas, destes Palhaços e a plateia até gosta disto…
Ri e aplaude, porque não paga o bilhete para ir ao Circo.
Porque o Circo anuncia por todo o lado, numa campanha muito sonora, que é divertido e é de graça.
Não…não é, ou nós ou Palhaço pobre.
Nem sequer é a substituição do Palhaço rico.
É, ou nós ou este Circo.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A afronta a Portugal. A vitória espanhola.



A Construção da Linha Férrea de mercadorias Sines – Madrid

Continua este Governo a insistir nas grandes obras públicas como modelo de desenvolvimento da economia nacional e do problema do desemprego galopante.
Uma mentira gravíssima, que não só não é sustentável, na opinião da quase generalidade dos nossos economistas, como é ainda mais grave, porque se preferem obras públicas que não respondem às actuais carências da sociedade portuguesa.
Pior, algumas destas, são absolutamente contrárias aos nossos interesses e são uma cedência inadmissível da nossa soberania e comprometem o nosso futuro.
O projecto de construção de uma nova linha férrea Sines – Madrid, em bitola ibérica, é uma incrível cedência aos interesses exclusivos espanhóis e uma limitação absurda do futuro desenvolvimento económico português.
Só tem paralelismo histórico, com a invasão do exército espanhol comandado pelo Duque de Alba em 1580, na defesa dos interesses de pretensão de Filipe II, à coroa portuguesa.
Foi então o Rei aclamado pelo povo, em Santarém e em Lisboa, quase sem exército, que num acto do mais heróico patriotismo, enfrentou esse enorme exército invasor, na batalha de Alcântara.
D. António, Prior do Crato, foi derrotado, mas nunca desistiu da sua luta por Portugal. A sua vida é toda uma página brilhante da nossa história, de acções e atitudes heróicas, na defesa de Portugal.
Nem todos os nobres portugueses o seguiram e apoiaram. Muitos preferiram as benesses e as regalias que Filipe ofereceu. Outros preferiram a acomodação, acreditando nas promessas e nas mentiras.
Portugal perdeu então a sua independência.
A mentira das promessas, gerou a miséria e começou também a afectar os privilégios da nobreza.
Durou 60 anos até a reacção portuguesa conseguir impor-se.
Seguiram-se muitos anos de guerra, até restabelecermos a nossa soberania.
Percebemos então que teríamos outros caminhos, para encontrar riqueza e do Brasil veio o ouro que nos salvou
Esse ouro, voltou a paralisar-nos, pois esquecemos que tínhamos muito mais potencialidades para explorar.
Madrid vai ter finalmente o seu porto Atlântico.
Mas o problema moderno não é esse.
É que esse porto de Madrid, não vai servir os interesses portugueses e vai bloquear, toda uma estratégia nacional de desenvolvimento.
É um verdadeiro travão ao nosso desenvolvimento futuro.
Essa linha férrea vai ser construída com a bitola ibérica, mais larga que a europeia.
Por esse facto, todas as mercadorias portuguesas só poderão chegar até Madrid e para seguirem para a Europa têm de ser transferidas, o que torna o custo de transporte ferroviário muito mais caro.
O Transporte de mercadorias rodoviário, vai ser muito penalizado, pelos acordos ambientais.
No futuro, o transporte de mercadorias rodoviário vai ficar progressivamente mais caro do que o transporte ferroviário.
O que acontecerá, é que qualquer produto de exportação nacional, vai ser muito penalizado pelo custo do seu transporte.
Nenhuma empresa produtiva estrangeira, escolherá no futuro, Portugal para se instalar.
As empresas portuguesas exportadoras, que ainda subsistem, ficam condenadas.
O único mercado a que podem continuar a exportar, é o mercado espanhol.
Os argumentos em defesa desta incrível obra, são também uma enorme falácia.
O desenvolvimento do pólo de Sines e da cidade de Évora, através dos serviços.
Não é isso que está em causa, o que está em causa é que nenhum país pode sobreviver sem actividades produtivas e somente com serviços.
O novo Duque de Alba vai invadir-nos… A nova linha Sines - Madrid é o seu exército.
Esta obra é desnecessária, pois bastaria recuperar a actual linha férrea e adapta-la á bitola europeia. Seria muito mais barato e não seria bloqueador para Portugal.
Assumimos a derrota antecipada, porque não existe nenhum D. António Prior do Crato.
Não ficará entre nós por isso, nenhum gérmen de reacção.
Quantos anos de miséria iremos ser obrigados a passar, até percebermos que somos um país e que tem potencialidades e outros caminhos a prosseguir?
Todos estamos acomodados, perante esta miserável mentira política.
Esta invasão espanhola, esta cedência da nossa soberania futura, merecia a sublevação nacional.
Ela é inconcebível e já não por não ser apenas economicamente insustentável, mas por o ser também politicamente.
Portugal não merece governantes destes.
Portugal precisa urgentemente duma afirmação inequívoca dos portugueses, na defesa da sua dignidade e do seu futuro.
José J. Lima Monteiro Andrade

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Novo endividamento do Estado...mentira e inconsciência

A questão que anima as discussões jornalísticas e televisivas é afinal uma coisa simples e dramática.
Portugal não tem dinheiro para pagar aos Funcionários Públicos.
Por isso o Governo vai pedir à Assembleia da República autorização para um novo empréstimo externo de 4,9 mil milhões de euros.
A Assembleia não poderá recusar, pois os funcionários públicos terão de receber os seus salários e subsídio de Natal. Nenhum dos actuais partidos com assento parlamentar, terá coragem de se opor a mais esta grave decisão de aumento do nosso endividamento externo.
Esta ruptura financeira do Estado já era conhecida em Julho, muito antes das eleições legislativas, mas foi sonegada, pois não convinha ao partido do Governo.
A sonegação de informações aos eleitores é hoje uma prática corrente…o caso do encerramento do Jornal de sexta da TVI, foi talvez o mais mediático, mas não foi nenhuma excepção.
A asfixia democrática chegou a ser um tema da campanha eleitoral, mas como é evidente por ter sido levantada por um partido com pés de barro, ou seja, também com muitas responsabilidades nesta matéria, não chegou a ser aprofundado.
Mas não é por esse facto, que os portugueses na sua generalidade não sentem que esta democracia está doente, senão já em agonia.
O nosso progressivo endividamento vai acelerar essa agonia.
Já ninguém não comprometido, com um mínimo de consciência, acredita ser possível inverter este caminho pela via reformista.
Estamos portanto perante uma situação gravíssima do ponto de vista político.
Ou vamos para uma alteração constitucional, que permita um outro regime político, mais eficaz e mais adaptado às circunstâncias e ao país…
Ou acreditamos que a Europa nos continuará a preservar dando-nos umas esmolas, para a nossa sobrevivência…
Ou ainda, que aceitamos resignados, a nossa dissolução como Nação.
O que é verdade é que mais cedo ou mais tarde os nossos credores exigirão de nós, uma outra forma de governação.
Ninguém empresta dinheiro, nem continua a emprestar, quando começa a verificar a impossibilidade de o reaverem e verificam uma situação de progressivo acréscimo de endividamento.
Estamos assim próximos de uma imposição governativa, que certamente não será do agrado da maioria dos portugueses e por esse facto, não poderá ser democrática.
Acreditam muitos, que a Europa é a almofada, que não permitirá que isso aconteça.
É também uma perspectiva possível, mas não menos dramática.
Uma Nação que foi a primeira a chegar à Índia e à América, que tem nove séculos de História gloriosa, aceitará essa resignação de pedinte e dependente de uma Europa, sem uma identidade homogénea e cheia de contradições internas?
Aceitará este povo, apesar dos indícios de resignação, um caminho de total subserviência ou de dissolução?
Todos já concluímos, que a reforma do ensino, da justiça, são essenciais, determinantes e urgentes…que a corrupção e a promiscuidade entre a política e os negócios terá de acabar…que teremos de voltar a ter industria, agricultura e pescas…que teremos de ser atractivos para o investimento estrangeiro…que as leis do trabalho têm de ser flexíveis…
Mas como?
Os que ainda acreditam, que esta 3ª Republica tem condições para fazer todas essas reformas, a tempo de evitar o desastre, na minha opinião estão apenas a promovê-lo e a acelera-lo.
A alternativa a tudo isto, a única em que acredito como forma de evitar consequências irremediáveis ou para a democracia ou para a própria independência nacional, só pode ser encontrada pela profunda revisão do Regime, através da mudança da Constituição.
Ou pela via Presidencialista, como forma de preservar a República…
Ou pela Monarquia como forma de preservar a democracia e a Nação.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

História de um Reino quase perdido ( Cap.II)


Henrique Paiva Couceiro - Paladino

Os invasores do reino não encontraram grande resistência patriótica, naquele ano de 1910.
A defesa do Império em terras de África, mobilizara os heróis que longe estavam impedidos de defender a sua Pátria mãe.
Escolheram a data mais querida e comemorada no Reino, para implantarem o novo regime… o 5 de Outubro, o Dia do Tratado de Zamora, o dia da Independência do Reino.
Os invasores sabiam que teriam de apagar a história e as referências do povo, para a consolidação da sua mentira. A partir de então o 5 de Outubro passaria a ser comemorado como o dia da implantação do regime e não mais como da Independência nacional.
Apenas um Homem, se destacou desde logo e que vai ser pela sua enérgica postura em defesa do Reino, o mais nobre Herói entre todos os demais.
Chamavam-lhe o Paladino, mas tinha como nome de baptismo, Henrique Paiva Couceiro.
Ele comandando um punhado de homens mal armado, foi a resistência possível, mas persistente aos Invasores.
Chamaram a essa luta pela resistência patriótica, as “incursões do Norte”, pois essa resistência estava estabelecida nas terras fronteiriças da Galiza. A postura dúbia e temerosa do Rei vizinho, contribuiu muito para o falhanço desta acção do Paladino e dos seus heróicos companheiros.
Onde vaz Alfonso XXII?, onde vás triste de ti…
Quiseram então os novos detentores do Reino, encontrar o Homem, para substituir o Rei.
Mas não se entendiam. Uma eleição finalmente combinada por um restrito Colégio, fez uma escolha que naturalmente se mostrou efémera.
A Republica não podia ser democrática, não podia ser baseada em sufrágio universal, porque não tinha suficiente adesão popular. Porque também não tinha um líder consensual.
Sucedeu-se um período de enorme instabilidade, onde se sucediam as revoluções e os governos.
A República desde o seu início, nunca se conseguiu afirmar como Regie Pública, como democracia e as divisões partidárias sucediam-se, porque as ansiedades pessoais se sobrepunham aos ideais.
Eram as revoluções nas ruas de Lisboa, que ditavam as quedas dos governos e o retorno ao poder, dos substituídos na revolução anterior.
Até que, alguém pôs tudo isto na ordem.
Era Capitão, Professor Catedrático em Coimbra, e tinha um perfil carismático impar. Com os seus discursos empolgantes junto do povo, conseguiu protagonizar uma mensagem de esperança.
Tirou então o avental.
Convocou as primeiras eleições universais, pois a sua popularidade já indicava que essa possibilidade poderia então ser oferecida ao pobre povo enganado.
Ganhou essas eleições, por uma margem indiscutível.
Assinou a sua sentença de morte.
Sidónio Pais, é assassinado porque despiu o avental.
A propaganda então, tratou de lhe chamar o Ditador.
Naquele Ex-Reino, ninguém mais poderia atrever-se a ser popular.
Isso era agora sinónimo de Ditador.
De toda esta luta política pelos poderes e influências pessoais, gerava-se a miséria do povo.
De toda esta luta política, enfraquecia a capacidade de manter a defesa do Império, que a participação na primeira Guerra Mundial foi uma consequência e também um enorme flagelo adicional.
O Ex-Reino ainda conseguia manter o seu Império, à custa do redobrado esforço dos seus heróis e também à custa do empobrecimento cada vez maior.
O Ex- reino estava num impasse insuportável.
À instabilidade juntava-se agora a pobreza e a ansiedade era cada vez maior.
A mentira persistia, como o domínio dos que usavam os aventais.
José Andrade

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

História de um Reino quase perdido ( Cap.I)



Já há muitos anos que este Reino estava ameaçado.
Um Reino, que era um grande Império, que foi invadido por franceses que tinham um outro Império e que queriam alargá-lo.
Resistiu o povo desse Reino, mas esse povo logo foi subjugado, por Aristocratas amigos do invasor, mas que chamaram o Rei, mas impedindo-o de reinar.
Tiveram de matar esse Rei João e fazer guerra ao seu legítimo sucessor, que agora era o novo Rei.
Bem tentou o povo, defender este seu amado e patriota jovem Rei, mas perante tanta força aliada na traição, conseguiram a sua derrota e a sua deportação.
Miguel por amor ao povo, não quis vê-lo mais ser morto e destroçado, rendeu-se á invasão dos estrangeiros, associados aos Aristocratas portugueses seus amigos.
Fê-lo assim, para evitar o seu sofrimento, mas nunca abdicou de seus direitos e responsabilidades.
Os seus inimigos trataram através de uma propaganda vergonhosa de substituir o seu patriotismo, pelo acusação falsa de Rei Absolutista.
Aclamou-se uma Rainha, neta do Rei morto e sobrinha do Rei exilado. Ela tinha a percepção do perigo, do drama familiar e cuidou de ter filhos para garantir a continuidade do Reino.
Morreu ao dar á luz o seu décimo primeiro rebento.
Um jovem culto e determinado, o seu filho e Herdeiro, esperou ainda dois anos até ser aclamado. Foi-o no preciso dia do seu 18º aniversário, uma aclamação muito significativa da esperança que todos nele depositavam.
Este infeliz Rei, teve um brilhante mas efémero reinado.
Sucedeu-lhe como Rei, o único irmão varão que restava, pois todos os outros morreram da mesma doença e na mesma altura do Rei tão querido pelo povo.
Chamava-lhe carinhosamente Lipipi, a Rainha do Império Britânico, essa que tinha sido baptizada como Vitória, uma premeditação do seu sucesso, sua prima por afinidade. Mas no Reino em que reinou, foi sempre tratado por Luís, seu nome próprio de baptismo.
O drama do Reino era assim esta instabilidade, que os dramas de assassinatos e mortes súbitas e estranhas, provocava.
Tudo isto, toda esta instabilidade, era um caminho aberto, para a mensagem francesa da eleição real, ou seja da Republica.
Os invasores tinham deixado os seus mensageiros, que vestiam uns aventais em reuniões secretas.
Ao morrer este Rei artista e culto, sucede-lhe seu filho como Rei, um Homem ainda melhor preparado.
Chama-se Carlos, esse distinto Rei, que sendo um extraordinário diplomata, era uma amante da tradição popular, um artista plástico distinto e um cientista de grande valor.
Popular, porque o povo se revia nele.
A esse Rei se deveu, numa época conturbada a preservação do Império, que seus antepassados tinham criado, com a ajuda e empenhamento heróico de um povo orgulhoso.
Desta sua acção patriótica, resultaram novos actos heróicos e foram muitos os heróis do Reino, que defenderam o Império.
Desta sua acção patriótica, resultou também a fúria e o desespero dos estrangeirados.
O Regicídio e a morte de Rei e do Herdeiro, foi o resultado deste sentimento de traição ao povo português.
O assassínio, ao serviço da instabilidade, ao serviço da mensagem importada, ao serviço dos interesses de outros países e de outros desígnios, que não os do Reino, era assim mais uma vez o instrumento utilizado e que agora seria para ficar.
A herança do novo Rei, era agora uma herança impossível, que um jovem de 19 anos não poderia resistir.
A implantação da Republica foi assim a nova Invasão francesa.
O povo chorou, o exílio Real, mas foi subjugado pela mentira, através da propaganda, da violência e da violentação.
O Reino estava assim conquistado.
O “avental global” tinha conquistado o Reino.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Resposta ao senhor Presidente da República


No seu discurso de 5 de Outubro o senhor Presidente da Republica deu uma única mensagem aos portugueses…
“ Temos de vencer esta tendência para nos lamentar de tudo e de todos, e de pouco fazermos para melhorar o que é de tudo e de todos “
Brilhante senhor Presidente, está a chegar a hora de já nem sequer nos podermos lamentar… porque fazer alguma coisa para melhorar é para quase todos nós uma impossibilidade.
A sua mensagem tem assim um significado muito amargo para todos nós.
O senhor não compreende ou não quer compreender ? … que a maioria dos portugueses não se revê nestes partidos políticos que tudo dominam.
E que não há qualquer outra alternativa para os homens honestos e patriotas ? do que ficar de fora de uma classe política, pois não podem, nem querem, ser confundidos?
Os portugueses competentes e patriotas lamentam-se deste triste panorama, seguem a sabedoria popular, que o senhor não entende …
“ diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”
O senhor Presidente para além de não ter condições culturais sequer para defender o regime, para o qual foi eleito com mais alto responsável, ignora em absoluto o que vai na alma dos portugueses.
Não tem sensibilidade.
Poderão os portugueses confiar em quem os lidera ?
Leia Camões, que talvez entenda …
“ Um fraco rei torna fraca a forte gente”
Esta é a verdade senhor Presidente.
Muita sorte tem o senhor e o regime que tão mal lidera, porque apenas nos lamentamos.
Tem essa sorte o senhor e toda a arrogância partidária, que o domina a si e a todos nós.
Há muito que já nos deveríamos ter revoltado, mas esta castração também é obra do seu regime.
Deve ser muito triste essa sensação de liderança de eunucos.
Será certamente mais fácil…mas não se esqueça que com eunucos não haverá procriação.
Mas certamente o Senhor não está preocupado com isso.

domingo, 11 de outubro de 2009

O Crime do Toureiro e Salazar


Manuel dos Santos e Diamantino Viseu, eram desde 1947, verdadeiros ídolos nacionais.
Os seus êxitos como matadores de toiros, reavivaram o orgulho português.
Diamantino foi o primeiro português a tirar a alternativa como matador.
Logo foi encontrado um rival á altura, o jovem Manuel dos Santos, da Golegã, passando a existir entre os aficionados uma divisão de opinião, de seguidores apaixonados de um e de outro, que enchia todas as praças onde actuavam juntos.
Foi uma época delirante da tauromaquia portuguesa. Finalmente tínhamos dois rivais, que animavam a Festa nacional e que ainda por cima pela sua qualidade se impunham no país vizinho e nas Américas, onde a lide apeada tinha outra tradição e já uma longa história de grandes e gloriosos ídolos da tauromaquia.
Este novo fenómeno tauromáquico animava a discussão pública, as crónicas jornalísticas e também motivava os políticos.
A discussão entre os aficionados centrava-se muito em torno da limitação legal que impedia a morte dos toiros em Praça.
Neste aspecto havia unanimidade entre os seguidores de Diamantino e de Manuel dos Santos, todos se sentiam frustrados por não poderem assistir ao culminar das suas faenas da forma natural. Mas a Lei que o impedia, tinha de ser cumprida e o Estado Novo, não admitia nenhuma excepção, nem dava mostras de qualquer abertura, a este desejo abrangente dos aficionados portugueses.
Entre os inúmeros políticos aficionados figurava o Dr. Paulo Rodrigues, Ministro da Presidência do Governo de António de Oliveira Salazar. Não perdia nenhuma das tradicionais corridas nocturnas das quintas feiras no Campo Pequeno. Era um «Santista», ou seja um incondicional adepto de Manuel dos Santos, que admirava pela sua arte, mas também, pelo serviço que este prestava a Portugal, impondo-se como figura do toureio de âmbito mundial.
Não escondia o Dr. Paulo Rodrigues nas conversas nos intervalos das corridas, que o Dr. Salazar também era um aficionado e que gostava de estar informado sobre tudo o que se passava. Contava que todas as Sextas feiras de manhã, quando ia a despacho com o Presidente do Conselho, era quase sempre obrigatório fazer-lhe um relato síntese, do que se havia passado e comentado na corrida de toiros da noite anterior no Campo Pequeno.
Naquela quinta feira, no dia 3 do mês de Junho do ano de 1953, depois de uma grande faena no seu último toiro, Manuel dos Santos entusiasmado pela petição do público, entra a matar com o estoque de morte. Foi uma estocada fulminante, e o toiro caiu de patas arriba. O delírio encheu o Campo Pequeno que estava a abarrotar.
Imediatamente Manuel dos Santos é feito prisioneiro pela polícia presente e levado para os calabouços do Governo Civil.
Muitos jovens seguidores concentram-se junto às portas do Governo Civil, tentando através da sua presença, libertar o seu ídolo. Houve da parte da polícia, várias acções para dispersarem aquela manifestação de solidariedade. Mantiveram-se ali vários grupos que com surpresa assistiram à cena que se seguiu…
D. Pedro de Bragança (Lafões) era o mais conhecido boémio artista da capital e de toda o ambiente tradicionalista português. Era uma figura impar, com presença permanente nas corridas de toiros e nas casas de fado de Lisboa. Todos o conheciam pela sua frequente postura fidalga que normalmente associada à condição de embriagues, originavam histórias originais e muito engraçadas, que todos conheciam e que eram contadas em muitos ambientes de todo o país. Era uma figura impar da época, que ainda tive o privilégio de ver praguejando nas bancadas de praças de toiros, levantando o seu chapéu de chuva de cor azul, contra as modernices, de alguns inovadores cavaleiros tauromáquicos.
D. Pedro chegou ao Governo Civil, cumprimentou afavelmente e com intimidade os policias que estavam à entrada e surpreendentemente entrou para o seu interior.
Todos os jovens que se juntavam em diversos grupos assistiram ao episódio e que tinham sido dispersados e obrigados a manter-se à distância, ficaram surpreendidos e muito curiosos.
Como tinha D. Pedro conseguido entrar, o que iria fazer ou conseguir ?
Não durou muito a estadia de D. Pedro de Bragança no interior do edifício.
Os jovens apreçaram-se a questioná-lo sobre o que acontecera.
D. Pedro, contou. Eu infelizmente conheço bem toda a polícia lisboeta. Já muitas vezes fui trazido para aqui e até já sou amigo de muitos dos agentes. Passei aqui muitas noites, tocando e cantando o fado para alguns que estavam de serviço e que me impediram prendendo-me de expressar na via pública a arte lusitana do Fado. Dizem que perturbava a ordem pública ou que incomodava quem queria dormir.
Pedi apenas que me deixassem entrar para escrever um bilhete com uma nota de conforto ao Manuel dos Santos.
« Manuel, não te preocupes…tudo se vai facilmente resolver…quem to diz é quem já aqui passou muitas noites, simplesmente por “ matar o bicho”»
Na Sexta Feira logo de manhã o Ministro Dr. Paulo Rodrigues foi a despacho com Salazar.
O Presidente do Conselho, perguntou ao Ministro. Então como decorreu ontem a corrida do Campo Pequeno ?
O Ministro, estava sem saber muito bem como haveria de contar o episódio da morte ilegal do toiro pelo seu ídolo das arenas Manuel do Santos.
Começou com algum cuidado tentando explicar a Salazar que se tinha passado uma circunstância muito anormal, mas que decorrera do grande entusiasmo que do público presente.
Salazar antecipou-se, querendo saber o que de grave se tinha passado.
O ministro manteve ainda o rodeio da questão, tentando justificar o acto sem o narrar directamente.
Salazar impacientou-se e desafiou o seu ministro a ser objectivo.
O Dr. Paulo Rodrigues disse por fim… o Manuel dos Santos depois de uma grande faena, induzido pelo entusiasmo do público…matou o toiro.
Salazar sem demonstrar qualquer sentimento e apenas curiosidade perguntou…
“ e Matou bem ? “
Manuel dos Santos foi julgado e absolvido em 1953.
48 anos depois, em 2001, outra figura da tauromaquia nacional, segue este exemplo na Praça de toiros da Moita do Ribatejo, matando um toiro depois de uma lide de êxito e entusiasmo.
Pedrito de Portugal, foi julgado e severamente punido ao pagamento de 100.000 euros de coima.
A ditadura foi condescendente .
A 3ª Republica foi severa .
Talvez a questão não deva ser apreciada numa perspectiva jurídica, ou talvez também o deva ser, pois todos estranhamos como há tanta corrupção politica que escapa á decisão dos Tribunais…
Mas sobre outro aspecto o exemplo ainda é mais elucidativo….
Os dois Regimes republicanos, têm efectivamente uma enorme diferença no que respeita á sua preocupação pela salvaguarda das Tradições Históricas e uma postura muito diferenciada pelo protagonistas que prestam esse indiscutível serviço nacional, que é o de uniram e motivarem muitos portugueses, em torno da sua identidade e do seu orgulho próprio.
Almeirim, 11 de Outubro de 2009
José J. Lima Monteiro Andrade

sábado, 10 de outubro de 2009

As bandeiras no futebol


Hoje ao ver o jogo de futebol da selecção portuguesa, pus-me a pensar.
Tantos cachecois e tantas bandeiras, tanto entusiasmo por Portugal.
Como sou monárquico convicto, esta sensação de ver esta expressão de orgulho nacional, agrada-me e entusiasma-me.
Considero mesmo, que a única mensagem de esperança possível e de mudança indispensável, passa pela restauração da Monarquia ou seja pela fim do regime republicano.
Foi então que reparei que não tinha qualquer aversão aos cachecóis e às bandeiras, que são símbolos republicanos.
Pela minha cabeça passou logo o pensamento… será uma boa estratégia monárquica repudiar a bandeira republicana?
Esta dúvida assumiu dentro de mim uma enorme importância.
Porque logo pensei … que para muitos, talvez a maioria, será mais difícil aceitar a mudança da bandeira, do que a mudança do regime.
Crescemos a ver esta bandeira, habituamo-nos á sua referencia identitária, que é muito mais patriótica e muito menos republicana.
Talvez seja um grave erro afrontar a bandeira republicana, talvez fosse melhor acentuar o seu símbolo patriótico e não a afrontar.
Talvez até, não seja na base das bandeiras, que esteja a correcta forma de divulgar a mensagem monárquica.
Quantos monárquicos convictos não puseram já à volta do pescoço aquele cachecol verde e encarnado, quantos não levantaram ou não juraram fidelidade àquela bandeira verde e encarnada?
Quantos monárquicos, já tiveram a afirmação de ao entrar num estádio de futebol, levarem á volta do pescoço um cachecol azul e branco e comemorar o golo ou a vitória da selecção portuguesa, acenando a bandeira azul e branca ?
Ou não haverá monárquicos nos jogos de futebol ?

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A explicação clarificadora de D. Duarte de Bragança.



“ Casos como o das “escutas” (tentativas de manipulação partidária de um Chefe de Estado), não acontecem nas Monarquias”.
Disse D. Duarte de Bragança, muito antes das eleições, logo que a comunicação social levantou a polémica Institucional.
Uma clarificação simples, mas essencial como definição objectiva e clara, da vantagem indiscutível das Monarquias.
O Rei não é eleito, não é proposto por nenhum partido, por isso é independente e como é respeitado por toda a Nação, pois é o símbolo da unidade, não está sujeito nunca, a pressões ou tentativas de manipulação, de nenhuma força política.
Tão simples, tão óbvio, tão evidente.
A actual crise Institucional veio a colocar em cima da mesa da análise política precisamente esta evidência.
O que se está a passar é lamentável, mas nunca seria imaginável numa Monarquia.
O Presidente da República, fez ontem duas acusações graves.
- Houve uma tentativa da parte de um partido político e do Governo de o instrumentalizarem, colando a sua imagem á de um outro partido em momento de campanha eleitoral.
- Houve uma tentativa de manipulação do debate eleitoral por um partido e pelo Governo.
O Partido e o Governo, respondem ao Presidente com outras acusações muito graves.
- O Presidente é irresponsável, pois levanta suspeições e faz acusações infundadas, num momento pós eleitoral, em que deveria estar preocupado com a solução governamental do país, que permitisse enfrentar a difícil situação económica e social que atravessamos.
A crise Institucional estava latente, agora ficou visível para todos.
São imprevisíveis as consequências. A primeira é evidente. Alastrou a suspeição popular, para com os políticos, para com os partidos políticos, para com o Regime Republicano.
A confiança pedida aos portugueses pelo Presidente da República na sua mensagem de ano novo, cai por terra pela desastrosa postura de Cavaco Silva.
A esperança desvanece-se.
Um Governo que terá pouco mais representatividade que 25% do eleitorado, fica muito mais fragilizado.
Todos nos interrogamos…todos nos afligimos…cada vez são menos os que accreditam.
Nada disto se poderia passar numa Monarquia.
D. Duarte de Bragança é o único que tem razão.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

De que se orgulham os republicanos?



Viva o Rei, Viva o Reino de Portugal que simples frase que tudo mudaria.

De que se orgulham os Republicanos ?

Uma comemoração pública só tem sentido, quando enaltece um acto ou uma época, que orgulha e honra uma população.
Olhando para o acto da Revolução de 1910 e para os cem anos da República, pergunto…de que se honram e orgulham os republicanos?
A génese da República foi o Regicídio, o assassínio frio e ignóbil, do Rei D. Carlos I e de seu filho primogénito o Príncipe herdeiro D. Luís Filipe.
A prática do assassínio político que permitiu a sua instituição, consolidou-se como uma prática republicana, que esteve sempre presente quando foi necessário eliminar os políticos mais carismáticos e populares, ou seja, aqueles que poderiam originar verdadeiras mudanças.
Sidónio Pais foi a primeira vítima. O seu assassinato marca definitivamente a 1ª República e condiciona radicalmente a sua evolução.
A 2ª República, repete a prática com o assassinato de Umberto Delgado.
A 3ª República mantém a prática com Camarate e a morte de Sá Carneiro, que a propaganda republicana, rapidamente quis fazer acreditar que se tratou de um acidente.
As datas das mortes destes líderes populares, destes agentes da mudança ansiada, não irão ser recordadas durante as comemorações do centenário, porque não são dignificantes para o regime, apesar de representarem uma prática de actuação que foi uma constante e de serem momentos determinantes da história dos últimos cem anos.
Mas que outros factos se passaram, que possam honrar e estimular o orgulho dos portugueses?
Não será certamente, o abate em Praça Pública dos opositores ao regime durante a 1ª Republica, nem a sua instabilidade política, que originou a miséria da população.
Tão pouco a nossa participação na 1ª Guerra Mundial, em que os soldados portugueses foram carne para canhão ou sujeitos a tarefas, que os outros aliados não queriam executar.
Também não deve ser das prisões do Tarrafal, de Peniche ou de Caxias, onde a 2ª República encerrava os mais destemidos opositores.
Talvez seja da neutralidade que nos livrou de participar na 2ª Guerra Mundial, mas que teve consequências dramáticas no nosso isolamento económico e originou toda uma enorme onda de emigração.
Mas não creio, que seja pela inglória Guerra Colonial, pela entrega das Províncias, pela destruição do Império.
Não é certamente motivo de orgulho para qualquer português a “descolonização exemplar”, que levou ao abandono de muitas centenas de milhares de portugueses e do seu património, que originou guerras civis em Angola, Moçambique, Guiné e Timor.
Tentará a propaganda republicana encontrar nos últimos anos uma razão que orgulhe os portugueses.
As comemorações do centenário da República só têm como finalidade serem uma tentativa desesperada de salvação da agonia que sofre a 3ª República.
O sonho de liberdade e de democracia que o 25 de Abril transmitiu aos portugueses, está hoje desfeito por uma Oligarquia partidária, que se apoderou do regime e que o bloqueou ao ponto de mais de 70% do eleitorado português, já não se rever neste regime.
A corrupção e a suspeição a todos os níveis da sociedade portuguesa, desde a política ao desporto, são um sinal inequívoco desta agonia.
O Estado democrático de direito, não passa de uma mentira da propaganda, porque a Justiça não funciona, porque há privilégios dos políticos perante a Lei, porque o Estado persegue as empresas e os cidadãos numa ânsia de receita pública e não paga as suas dívidas como pessoa de bem.
Um regime que obriga, que pressiona, que exige, de todos nós, mas que é incapaz de dar resposta adequada, às mais elementares necessidades como a saúde e a educação.
Este Estado Republicano que assume o privilégio de todos termos para com ele uma obrigação permanente, que se arroga em substituto da função educadora das famílias, mas que não respeita, nem acarinha os portugueses nos momentos de crise, acentuando a sua frieza de atitudes e a mentira, na sua tentativa de auto justificação formal.
As comemorações do centenário da República não poderão ser nada que possa enaltecer ou fomentar o nosso orgulho como portugueses, simplesmente actos formais.
O orgulho é essencial para a preservação e progresso de qualquer Nação, a República não tem, nem motivos nem capacidade, para estimular os portugueses.
A própria personalidade do actual Chefe de Estado, é representativa da agonia da republicana. Sem cultura e carisma suficiente para o cargo, ele nem sequer sabe sorrir … um tecnocrata que considera todos os portugueses como um número, que integra uma complicada equação Keineziana, que na sua presunção só ele sabe resolver.
Só com um novo e forte estímulo, será possível fazer ressuscitar o orgulho português.
Os últimos cem anos da nossa história, não nos transmitem essa motivação.
Só outra herança, pode dar esse contributo decisivo, relembrar e assumir, que somos os herdeiros, do mais heróico glorioso Reino da História Mundial.

domingo, 27 de setembro de 2009

O que disse o eleitorado? ...NÃO



A análise que faço do resultado das eleições legislativas, destoa profundamente do politicamente correcto, que os analistas oficiais e os representantes partidários vendem , como síntese do sentido do eleitorado português.
O que leio como mensagem dos portugueses, parece-me claro e inequívoco, onde predomina a palavra Não.
Uma grande abstenção, onde é dominante o estado de espírito de cerca de 40% do eleitorado… NÃO acreditamos em qualquer solução, NÃO é esta a via que poderá levar a uma mudança que nos motive, NÃO são estes partidos que nos convencem, NÃO é neste quadro partidário que está a solução, Não vale a pena, porque já não acreditamos nos políticos.
São três milhões de portugueses, que expressam este tipo de sentimento, pois desconto meio milhão que não votou por impedimento.
Dos que votaram também pode ser fácil perceber que o NÃO esteve presente como síntese do resultado eleitoral.
O NÂO claro e inequívoco ao Governo, que sendo uma condescendência para com a sua política, é indiscutivelmente um NÃO à sua forma de governação e até á sua composição. Perdeu por isso mesmo, a maioria absoluta, que parecia a forma mais lógica e segura que teoricamente nos permitiria a segurança e a estabilidade, para ultrapassar a crise económica e social, que atravessamos.
O NÃO, a uma liderança forte mas imprevisível que foi apresentada pelo PSD. Simultaneamente o NÃO há sintonia Presidente da República e futuro Governo.
O NÃO há bipolarização do espectro político e ao domínio dos partidos dominantes do quadro parlamentar e da governação do passado. Dando assim força aos partidos que se apresentaram nas eleições dando mais garantias de não viram a ser muletas da acção governativa, ou seja para com aqueles que tiveram mais firmeza na afirmação ideológica e nas suas convicções.
Um NÃO ainda, a toda esta persistente, mas ultrapassada, classificação entre esquerda e direita, que é asfixiante e uma mentira. Pois foi evidente, que toda a campanha do Bloco de Esquerda, o partido que mais reforçou a sua votação, foi baseada na acusação da politica do PS como de direita e não faz qualquer sentido, a partir de agora, continuar a classifica-lo como um partido, que integra a esquerda.
Este NÃO à linguagem partidária, é também uma exigência de clarificação ou de libertação face às siglas e conceitos socialistas ou sociais democratas, que por estarem manifestamente ultrapassados pelas circunstâncias e pelo estádio de evolução do mundo, já não conseguem induzir ao engano o eleitorado português.
Um NÃO rotundo e sonante ao Presidente da República, pela sua inaceitável atitude de não explicar ao país como era seu dever e obrigação, todo o grave embróglio da suspeição das escutas.
Este NÃO, ficou bem visível com a descolagem que permitiu ao PS, desde que esta questão foi acentuada na campanha eleitoral e eliminou o empate técnico que até então se verificava, passando a favorecer o partido do Governo.
Este NÃO é particularmente significativo, pois evidência a exigência de esclarecimento dos portugueses, para com o Presidente da República, beneficiando quem ficou pelo seu silencio, numa posição de suspeição não clarificada.
Este NÃO é o mais grave, porquanto é uma advertência dos portugueses, para com o mais alto responsável do Regime e simultaneamente uma exigência de esclarecimento.

sábado, 1 de agosto de 2009

Retratos de Portugal (4)



As Festas Populares


O Verão faz transparecer em todo o Portugal tesouros bem guardados na alma dos portugueses. São as Festas populares das Aldeias e Vilas deste tão singular país.
Essas festas são o orgulho do Presidente da Junta de Freguesia, que sendo entre todos os eleitos o mais responsabilizado directamente pelo povo, é simultaneamente o mais desprezado na sua função, pelo Código Administrativo. O seu empenho e dedicação, foram contributo essencial para que a Festa se realizasse, pois ela é uma exigência de toda a população. Para que isso acontecesse, teve de ir inúmeras vezes à sede do seu Concelho, à Câmara Municipal, tantas vezes de “chapéu na mão”, implorando o apoio prometido. O seu coração é o mais acelerado, logo que estala o morteiro e começam os sinos da Igreja a badalar. É o sinal de que as Festas vão começar.

Foi à Associação Recreativa e Cultural que competiu toda a logística da organização. A Instituição é a estrutura essencial para juntar vontades e coordenar toda a generosidade que produz como resultado, aquele momento glorioso anual, de alegria e convívio.

O Rancho Folclórico local, que até já actuou no estrangeiro e já foi à televisão encara a sua a presentação na sua festa como a mais importante de todas as actuações. Eles são o orgulho dos seus familiares e para eles nada há de mais importante, do que actuar para aqueles que como eles sentem aquele incrível sentimento da arte popular.

A Banda de Música abre a Festa desfilando a caminho da Igreja, serão eles que irão marcar o compasso da Procissão. Jovens, muito jovens até, integram aquela Banda e juntamente com outros onde se integram ainda alguns idosos, mesmo muito idosos, todos muito compenetrados dentro das suas fardas, também eles muito orgulhosos por pertencerem àquela escola de cultura musical mantida saberá Deus, à custa de tantos sacrifícios e de tanta dedicação.
Jubila com uma homilía esfusiante, o Padre moderno, que soube interpretar magnificamente a simbiose entre a religiosidade e o festejo profano. A fé sai reforçada, a alegria e a motivação também. Encheu-se por completo a Igreja, apenas alguns lugares da frente se mantêm reservados esperando a chegada dos políticos, que invariavelmente chegam atrasados. Respeita-se com esta referência de destaque aos representantes da administração pública, uma tradição que deriva do respeito popular pelo nobre serviço, para com aqueles que com generosidade se sacrificam através da sua dedicação ao serviço da colectividade.

Chegam em grupo com os seus fatos cinzentos, quando o Pároco já se prepara para subir ao púlpito. Acompanham a Procissão logo atrás do andor do Santo Padroeiro. As suas faces e o seu olhar fixo no chão, mostram uma solenidade, que disfarça qualquer sentimento de ausência de fé, tentando demonstrar sintonia e afinidades. A população reconhece a sua atitude e agradece a sua presença.
Depois todos vão para o largo da Festa, onde já cheira a churrasco e sardinha assada.

Há música nos altifalantes, há quermesses que vendem rifas que dão prémios engraçadíssimos.
Este ano certamente a ASAE não aparecerá. É ano de eleições, os políticos estão presentes, não convém afrontar demais e por esse facto há mais tendas a servir comida e bebidas. A festa está bem mais animada.
A alegria está presente no rosto de todos, fala-se alto e alegremente, o convívio é fantástico. Perante todo este informalismo têm agora os políticos presentes maior dificuldade de se adaptarem. Juntam-se em pequenos grupos de afinidades partidárias, alguns despem os casacos, sem arregaçar as mangas das camisas brancas.

Alguns mais experientes já se esgueiraram a caminho de casa, pois já tiveram a oportunidade de ser notados, os que ficaram são os mais novos, a quem os outros aconselharam a ficar. A representatividade partidária fica assim assegurada. Adoptam uma postura de grupo isolado, sorrindo e cumprimentando todos os que por eles passam, como seres exóticos incapazes de se interligarem.

Ninguém lhes leva a mal, todos respondem aos cumprimentos com simpatia, mas também não lhes ligam lá grande coisa. O correlegionário lá da terra, reservou-lhes uma mesa e agora já sentados, sentem muito mais confortáveis.
No palco já actua o Rancho da terra e aplaudem os políticos cada número da sua actuação, fazendo os comentários a propósito, para que alguns que estejam perto percebam o seu entusiasmo.

Entretanto colocaram-lhes umas fatias de pão caseiro e um prato de sardinhas assadas, que lhes deu sérios embaraços pois nem talheres havia e com gestos muito delicados lá tiveram de se desembaraçar do peixe mal cheiroso, mas sem conseguirem disfarçar lá muito bem, a sua falta de apetência, para beber aquele “tinto carrascão”.
Ao anunciar da fadista local, já os nossos jovens políticos se preparam para abandonar a festa. Eles são sempre os últimos a chegar e os primeiros a partir.

Já comentam entre si …”o povo ainda é muito atrasado…muita coisa há ainda para fazer”. Aproveitam o anúncio do artista principal para se despedir. Ter de “gramar” o Tony Carreira, é demais para os nossos jovens políticos. Como pode o povo gostar destas canções “pimba”, cantadas numa língua que não soa bem, de versos construídos por lamúrias amorosas?
Ninguém leva a mal a sua saída, toda a gente está divertida e deles se despedem com sincera simpatia. Foi muito bom que tivessem vindo, a continuidade da festa está garantida e isso é o mais importante.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A rejeição de equivocos



As palavras que utilizamos tantas vezes inconscientemente, algumas provenientes de modas importadas, que não buscamos sequer saber o significado, levam a permissividades indutoras de profundas alterações de valores, que alteram com muita frequência toda uma identidade, toda uma diferenciação e nos conduzem á vulgaridade e ao esquecimento do respeito individual e colectivo, que deve merecer cada um de nós e todos os nossos semelhantes.
O uso generalizado das palavras cidadão e cidadania, é um destes casos para mim mais chocantes.
Não me estou a referir á carga ideológica que trouxe a implantação destes termos após a Revolução Francesa e que entre nós se consolidou na Monarquia Constitucional. Estou-me a referir à banalização do seu uso, que originou uma enorme abrangência que origina uma grande dificuldade de concretização e de identificação quando a usamos.
Vejamos…eu não sou um cidadão no estrito termo do significado da palavra, porquanto vivo numa Quinta e não soa nada bem classificar-me a mim próprio de “quintão”. Poderia então auto-classificar-me como um “rural”, mas então reparo que a ruralidade tem hoje em dia um significado depreciativo e tão incompreensivelmente esquecido. Já volto a pensar nesta questão, mas para já o que quero é afirmar-me como cidadão…apenas encontro uma possibilidade, a de ser cidadão da minha cidade, da que está mais perto da minha quinta, logo apenas sou cidadão de Almeirim.
Mas este cidadão de uma cidade de província, lê os jornais nacionais e ouve os políticos dos partidos, os Deputados, os membros do Governo, o Presidente da Republica e até SAR o Duque de Bragança, a referir-se aos cidadãos portugueses e à cidadania portuguesa. Oiço os parlamentares europeus e os membros da Comissão da União fazerem apelos à cidadania europeia. Esta abrangência dada às palavras diluiu o uso da palavra “patriotismo”, quando nos referimos à nossa participação cívica de âmbito nacional. Agora mais recentemente o uso da expressão “cidadania europeia” pretende criar em nós o fácil enraizamento, sem necessidade de mais explicações de que uma determinada União é a única solução que o futuro nos destinam.
O “dever de cidadão” é muito menos rigoroso para cada um de nós, do que o “dever patriótico” e muito mais preocupado ficaria se no meu bilhete de Identidade não figurasse a minha “nacionalidade”, substituída por “cidadania” …. que está cada vez mais restrita no seu significado real, a esse acto nobre que é votar em eleições. A “cidadania” é assim muito menos exigente do que “patriotismo” e a preferência pelo seu uso tem na sua génese precisamente libertar em cada um de nós a responsabilidade inerente à exigência histórica e cultural de sermos “portugueses”, herdeiros de uma Nação como muitos séculos de História. Assim para mim não é nem indiferente o uso destas palavras, nem me coloco entre os ingénuos que as adoptam, porque passou a ser corrente ou moda, a sua utilização.
Mas o adjectivo “cidadania”, que passa a substantivo, por razões políticas evidentes, é também portador de muitas outras mensagens que lhe estão associadas na vida moderna e a muitas outras que nos fazem esquecer valores tão essenciais, como o respeito por muitos hábitos e costumes, tão identificadores da nossa identidade como povo e da nossa diferenciação em todo o mundo.
Só quem não vive nem convive, com os habitantes do Portugal do interior, das Aldeias, Vilas e até Cidades, com o tão digno Portugal rural, é que não percebe a diferença entre os valores de respeito humano, que se expressam no convívio entre os seus habitantes, valores que aí ainda são uma regra de oiro nacional e que já não encontramos nas cidades. A “ruralidade” que é assim em Portugal a depositária de valores e de bons costumes, é muito menos considerada do que a cidadania e quantas vezes referenciada depreciativamente e sinónimo de atraso ou de reaccionarismo.
Por tudo isto, não abdicarei de ser apenas e exclusivamente cidadão da minha cidade e patriota de nacionalidade portuguesa.


















































domingo, 19 de julho de 2009

Ao que chegamos




António Barreto publica hoje um artigo no jornal o Público de grande sentido. Ele levanta como principal preocupação política nacional, a questão da “corrupção” dos partidos, políticos e do sistema.

Ele afirma claramente… “a corrupção é legal, tem apoio partidário e parlamentar” e ainda…”a corrupção é remunerada e paga a recibo verde”.

A primeira afirmação justifica-a através das nomeações para os altos cargos da administração pública, feita pelos governos a membros dos partidos, a segunda pela nomeação do elevado número de “assessores”, que todos os partidos chegados aos governos, têm a liberdade de colocar.

António Barreto mais uma vez tem toda a razão, ao dizer que o partido que proponha na próxima campanha eleitoral, o duplo compromisso de acabar com as nomeações partidárias para a Administração Pública e simultaneamente limite o número de assessores de nomeação, merece ter a maioria absoluta.
Esta verdade merece a nossa profunda reflexão, para além da razão que indiscutivelmente tem António Barreto.
A questão essencial actual não é a nossa escolha eleitoral, para com um “Programa de Governo”, ou perante a credibilidade dos candidatos no que respeita aos compromissos de governação, mesmo perante uma gravíssima crise económica e social.
A questão essencial é a questão do regime, dos privilégios partidários e dos políticos.
O que está verdadeiramente em causa na democracia “à portuguesa” já não é a governação dos próximos quatro anos, pois passa a questão de menor importância, face à desfaçatez ética e moral dos políticos, dos partidos e do regime.
É o assumir da verdade indiscutível de que nenhum partido deve merecer a nossa confiança, enquanto não assumir um compromisso eleitoral irrevogável para com o eleitorado, de se colocar ao serviço da governação e não ao serviço dos seus militantes, como empregador e distribuidor de favores e benefícios.
A permissividade do actual regime, para com os interesses pessoais, dos militantes dos partidos dominantes e perante o relacionamento perverso destes com os principais agentes económicos, condenou a sua credibilidade popular e isso é uma responsabilidade exclusiva dos partidos políticos dominantes, que com a sua atitude, continuam a fazer o mais grave e lesivo dos ataques ao que dizem defender, a democracia.
Isto é tão grave que teremos de dar inteira razão a António Barreto, que neste seu artigo faz um derradeiro apelo de bom senso aos partidos do sistema, mas que nos conduz a todos a uma triste conclusão…o verdadeiramente importante, mesmo perante o desespero de uma grave crise, não são as propostas politicas, mas a limitação das ansiedades dos políticos e dos seus interesses pessoais, de forma a ainda podermos aspirar a acreditar, a que possam surgir homens, que assumam uma postura de serviço público independente e desligada dos seus interesses particulares.
Mas não sou tão crente como António Barreto, pois não acredito que nenhum dos partidos dominantes tenha condições de fazer as propostas que sugere, pelo simples facto de que é o actual regime constitucional, que a tudo isso é totalmente permissivo.

A grave questão levantada, não se resolverá nunca através de propostas legislativas, que pressupõe ser feita pelos próprios partidos, que baseiam toda a sua força tendo como base aglutinadora precisamente essa premissa básica, que é capacidade de distribuir favores aos seus militantes e de lhes conferir o estatuto da riqueza.

A questão da promiscuidade politica e da corrupção, só pode ser encarada com rigor em Portugal, quando se concluir que há valores base essenciais que devem merecer estatuto de preceito constitucional, que o actual sistema semi-parlamentar está na base de toda a permissividade, assim como o facto, do principal responsável pela Estado e pela Nação, ser uma personalidade eleita sob proposta e apoio partidário, ou seja lhe estar á partida negada a possibilidade de ser totalmente livre e totalmente independente das influencias partidárias, que só um Rei poderá ser.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Retratos de Portugal (3)


O Serviço Nacional de Saúde uma prioridade do Governo PS

Hoje acompanhei a minha mãe, a um laboratório de análises do Cartaxo. Minha mãe tem leucemia já há alguns anos e apesar de na sua idade esta doença ser de evolução lenta, é necessário acompanhá-la com análises periódicas .

O médico responsável pelo Laboratório, é um senhor alto de cabelo todo branco, muito educado e simpático .


Enquanto esperávamos que preenchesse diversos papeis que minha mãe tinha obtido no Centro de Saúde para que as despesas das analises pudessem ser comparticipadas, tive ocasião de observar o senhor Doutor .


Fazia aquele trabalho burocrático com método e muita calma . Era aquela agora a sua principal função. Ele tinha sido transformado num experiente funcionário de secretaria. Toda a sua formação e toda a sua experiência como medico dava agora a plena garantia de que os papeis seriam bem preenchidos e que a nomenclatura das analises correspondia à demanda do seu colega do Centro de Saúde .


O velho medico já conhecia bem a minha mãe, pois há muitos anos que periodicamente ela ali vai fazer as mesmas analises. Como não se tem sentido bem nos últimos tempos a sua ansiedade era que o medico lhe desse logo uma opinião sobre a evolução do seu estado de saúde .


O simpático Doutor garantiu-lhe que após completar o serviço burocrático, que executava com atenção e minúcia, leria os resultados das analises .


Após alguns minutos levantou-se da sua secretaria, e abriu para ler o envelope, que continha os resultados .


« Bom as análises não indicam mais nada de novo, apenas o que a senhora já sabe que tem, mas agora tem que mostra-las ao seu medico »


Minha mãe teve um problema num olho que resultou de um erro medico, na sequencia de uma operação às cataratas no Hospital da Cuf. Como tirou os óculos escuros que costuma usar, o medico reparou nela e fez-me a seguinte observação : « a sua mãe foi vitima de um grave erro clínico ….deviam ter pedido uma indeminização…»


Sabe senhor Doutor, na altura ainda ponderamos essa questão…mas sentimos imediatamente que seria um acto inglório e caro . Sentimos que o medico chefe de serviços desse Hospital estaria na total disposição de proteger o medico operador e protagonista do erro cirurgico . Houve inúmeras justificações que nos foram dadas …justificações feitas de uma forma muito cuidada, mas que nos deram a certeza de que num processo judicial …fariam tese justificativa…enfim o proteccionismo clássico .


O simpático medico, não se perturbou minimamente com esta acusação à classe medica.


Imediatamente passou a contar duas histórias .


Sabe …cada vez há mais casos de erros médicos…os novos não querem aprender com os mais velhos…e são colocados sem a experiência devida a praticar actos, para os quais nem sequer uma boa preparação teórica têm . Agora foi julgada uma médica na Madeira que se comprovou ter dado um medicamento de elevado risco a uma criança, tendo resultado a sua morte. Apanhou apenas pena suspensa…pena suspensa pela responsabilidade de ter morto uma criança !


Outra medida lhe posso comprovar com outra narrativa . Havia aqui no Cartaxo uma jovem medica « Servia » que tinha uma comprovada experiência e dedicação para com os doentes . Era a medica preferida do Centro de Saúde . Eu próprio recebia telefonemas dela mostrando sempre uma particular atenção pelos doentes que enviava para aqui para fazerem análises. Nos médicos portugueses não é conduta habitual, esta preocupação, explicava.



Quando houve renovação do quadro do Centro de Saúde a dita medica foi posta fora. Muitos dos seus pacientes se queixaram e ainda hoje perguntam por que se foi embora a referida jovem e atenciosa médica. É claro que todos sabemos a razão…mas ninguém o diz .


Efectivamente você tem toda a razão …o proteccionismo existe e é maléfico .


O sistema está gravemente ferido. Agora temos de encarar a redução das despesas com a saúde . A redução da despesa publica sobrepõe-se ao direito do doente de ser tratado .


O simpático medico falava pausadamente e sem calor. Mas era veemente no seu discurso crítico. Agora os laboratórios estão limitados na alteração dos preçários das analises que efectuam. Há cinco anos que se mantêm as mesmas tabelas…quer nos preços, quer na « nomenclatura ». A manutenção dos preços traz-nos dificuldades de funcionamento e exige-nos sacrifícios, ainda por cima há dois anos fomos obrigados a cobrar 5% de imposto. A manutenção da « nomenclatura » leva a que muitas análises não possam ser comparticipadas ou pagas pelo Serviço Nacional de Saúde . Muitas pessoas não têm condições financeiras para as fazer…outras nem sequer lhes passa pela cabeça que as deveriam fazer porque os médicos dos Centros de Saúde não as solicitam.


Creio que se tivesse continuado a dar a devida atenção ao simpático Doutor, iria ficar ainda mais desapontado com este país. Optei por me desculpar e despedir-me …é também uma defesa que temos de ter, esta de não saber muitas coisas que nos chocam, para evitar tantos problemas de consciência .


domingo, 28 de junho de 2009

Um equívoco

O senhor Presidente da Republica apontou como sendo um desígnio nacional, a candidatura de Durão Barroso a um segundo mandato como Presidente da Comissão Europeia.
Não sei ao certo, o que nos quer transmitir o nosso Presidente da Republica.
O Dr. José Manuel Durão Barroso não é uma personalidade politicamente fiável, pelo menos para mim, uma vez que nele votei e com esse voto, também contribuí para o compromisso de governação, que assumiu com o eleitorado português que não cumpriu, originando uma grave crise governativa, que veio a ter como consequência directa esta actual maioria absoluta liderada por Sócrates e o pior de todos governos da III Republica Constitucional.
Não acredito portanto, que Durão Barroso em nenhum momento possa fazer alguma coisa de particularmente favorável a Portugal, no exercício do seu cargo de Presidente da Comissão Europeia, pois dará sempre prioridade à sua carreira de político profissional.
O que leva o senhor Presidente da Republica a colocar esta questão como uma prioridade nacional?
Certamente não será apenas a sua ligação de amizade com Durão Barroso, haverá outras razões.
O Presidente da Republica não entende como traição a Portugal e à democracia a atitude do seu amigo, de se desligar de um compromisso de honra eleitoral, pois se assim o entendesse não se atreveria a levantar hoje esta questão. Também não pode ser apenas uma questão de fazer levantar um pouco do nosso orgulho próprio, pelo facto de estar num lugar tão importante um nosso compatriota, pois isso seria manifestamente insuficiente para que o máximo representante do Estado, levantasse a questão como desígnio nacional.
O senhor Presidente da Republica tem de ter outro tipo de preocupações, mais profundas e mais importantes. Porém o senhor Presidente da Republica não foi claro nem objectivo na sua afirmação. Deixou-nos a todos na dúvida e contribuiu para o clima de suspeição generalizado para que toda a sociedade portuguesa se tem rapidamente precipitado.
A minha suspeição, é de que o senhor Presidente da Republica está, tal como eu estou, preocupado com o caminho que cada vez dilui mais a capacidade de decisão nacional, ou seja o caminho da perda de soberania nacional. Mas não o diz com a frontalidade exigível e mais grave que isso, assume que é pelo facto de termos um compatriota como Presidente da Comissão, que poderemos ficar salvaguardados na nossa capacidade de decisão e de influência neste caminho obscuro que visa a Europa Federal.
Durão Barroso, faz parte de toda uma classe de dirigentes políticos que determinados numa carreira pessoal sob os auspícios de bandeiras partidárias nacionais ou internacionais, não têm como referência prioritária a Pátria onde nasceram. Eles seguem em cada momento do seu percurso, as dinâmicas das forças partidárias que os apoiam que lhes podem proporcionar a manutenção dos seus estatutos. Hoje é o Partido Popular Europeu, que representa essa referencia de prioridade para o Presidente da Comissão e não o interesse nacional.
Portugal está a deixar diluir progressivamente e de uma forma humilhante, toda a sua história a sua dignidade e em consequência a sua independência.
A Republica está a ser totalmente colaborante com este triste caminho.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Presunção Inacreditável


Interrogo-me como é possível que políticos que têm demonstrações públicas de total falta de respeito pelos mais elementares valores éticos, terem a presunção de admitir que o eleitorado português não os penaliza.
Ontem, Elisa Ferreira anunciou a sua candidatura à Câmara Municipal do Porto e teve a desfaçatez de anunciar, que se ganhar essas eleições abdicará dos “privilégios”, que obteve com a sua eleição para o Parlamento Europeu.

A questão é muito mais grave, do que a já por muitos apontada falta de respeito pelo eleitorado que já a elegeu para uma representação na premissa de cumpriria o seu mandato. A declaração pública de que obteve “privilégios de natureza material e outros” pelo facto de ter sido eleita para um cargo político é desde logo denunciadora de uma irresponsabilidade incrível, na medida que acentua a imagem negativa que todos temos dos políticos e das razões porque lá estão.
Mas para além disso a candidata do Porto assume que isso é um acto louvável de dedicação pelo Porto, ou seja ela insinua que por estar disponível para abdicar de privilégios, dá maior garantia do que os outros, que não têm esses privilégios, de mais dedicação e empenhamento.
A presunção da candidata paralisou completamente a sua inteligência, que envergonhou certamente muitos socialistas.
Mas tudo isto é natural, quando pessoas sem suficiente preparação cultural, sem consistência humana, sem mundo e de verticalidade duvidosa, são catapultadas para funções ou lugares, para os quais não têm a mínima das preparações.
É um exemplo inequívoco de como a mediocridade humana, chega hoje facilmente a lugares importantes da política nacional.

O problema é assim um problema estrutural, porque Elisa Ferreira só teve a possibilidade de dizer tamanhos disparates, porque está integrada num partido político que a apoia.
É toda uma elite, que não tem suficiente categoria humana, para ter as pretensões a que se arrogam.
Certamente que o eleitorado do Porto não irá eleger uma personalidade destas, mas então ela manterá os seus “privilégios” e continuará a ser-lhe dada audiência nos órgãos de comunicação social, porque faz parte da elite dominante.

A tolerância característica dos portugueses, tem inúmeras vantagens, mas tem também este grave inconveniente, de ser uma sociedade de grande permissividade à incompetência e à pobreza de espírito.
Porém, uma elite consistente e bem preparada, reconhecida nos valores humanos por toda a sociedade, é essencial para a preservação de um Estado e também para a qualidade de vida dos cidadãos.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Retratos de Portugal (2)

A simpatia não é um favor

Hoje tive um dia particularmente atarefado .
Andei toda a manhã a tratar de uma série de papelada, que me exigem para uma actividade que quero lançar .
Tinha uma reunião marcada para as três horas, mas achei que ainda conseguia ir ao notário reconhecer uma assinatura que me faltava .

Entrei no notário logo a seguir a entrarem os três funcionários, disse boa tarde, mas ninguém me respondeu nem sequer olharam para mim.
As duas funcionárias conversavam de pé, perto de uma janela uma delas meia sentada numa secretária, com um cotovelo em cima do monitor de um computador .
O funcionário desfolhava papeis e mais papeis de um montão enorme, sentado numa outra secretária, que também tinha um computador .

Comecei a ficar nervoso, porque ninguém me ligava nenhuma e eu tinha uma data de gente importante, para mim claro, à espera para a tal reunião .
Hesitei se não deveria desistir e vir noutra hora…mas assim ficava com o processo completo…julgava eu .
Bom completo nunca está, porque há sempre mais algum documento, mais uma assinatura, mais…, bom mas ficava completo para ser entregue e analisado e para que daqui a uns meses me informarem de como poderá vir a ficar completo, para finalmente ser avaliado.

Com um sorriso, o melhor que o meu estado de espírito permitiu, chamei a atenção às senhoras, para que me atendessem .
Com o ar mais natural deste mundo a mais nova e mais feia, diga-se a verdade, disse-me …o senhor tem de ter paciência, já vai ser atendido.
Eram já três e dez, eu já tinha tido dez minutos da mais submissa paciência.
Mas a senhora tinha dito aquilo num tom educado, pois não fora ofensiva, apenas achava que deveria ser eu, um simples cidadão a esperar.
Ouvi a história do marido da sua vizinha que anda a enganar a mulher.
Ouvi a outra a filosofar que o mundo está às avessas e que a culpa é das telenovelas brasileiras.
Soube ainda, que em tempos até tinha havido um programa brasileiro na TVI, que estimulava as infidelidades.
Mas como a senhora, a mais nova e mais feia, não tinha sido antipática nem agressiva, esperei que me atendesse e acreditei que não faltaria muito para ser atendido .
Que raio, eu precisava mesmo daquela assinatura reconhecida.
Tinha de me resignar e ter a tal paciência .
Eram já três e vinte e ainda não tinha entrado mais ninguém no Notário.
Pensei, esta não é decididamente uma hora de ponta dos Notários.
Aguenta e não refiles, pois a senhora até foi educada .
Mas…ela não tem obrigação de o ser…de ser educada?
Bom, acho que isso não é ainda um privilégio dos funcionários públicos…ensinaram-me que todos devemos ser educados e respeitadores …
Não resisti e chamei novamente a atenção das senhoras agora explicando….que estava com um bocadinho de pressa .
O ar com que se dirigiu para o balcão e na minha direcção não era de bons amigos. Deixou mesmo escapar…um «Huuufff», como quem diz que chatice .
Eram três e vinte e oito minutos, quando paguei uma pequena fortuna, por aqueles momentos .
Livra que agora reconhecer uma assinatura está um roubo.
Bom sejamos claros… não é só reconhecer uma assinatura que é um roubo.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Resultados eleitorais


Os níveis de abstenção em Portugal continuam a ser superiores aos da restante União Europeia. O desinteresse, a descrença, o distanciamento, face à politica e/ou face ao projecto europeu, é aqui um problema ainda mais grave, do que nos restantes países.
O voto em branco e o voto nulo aumentou quase para o dobro. Este é sem duvida um voto de protesto, contra o sistema e os partidos dominantes e já representa mais de 5% de todos os votos expressos, o que é francamente significativo.
Os novos partidos não conseguiram resultados animadores, pois não conseguiram demonstrar qualquer diferença significativa, relativamente aos partidos instalados e por conseguinte não criaram qualquer dinâmica mobilizadora .
O mais representativo destas eleições foi a dissonância dos resultados com o que anteriormente era anunciado pelas sondagens.

Os eleitores portugueses deram uma boa lição de afirmação e de carácter ao afirmarem pelo voto que não estão disponíveis para serem influenciados pelas sondagens.
Disseram com clareza que a democracia, não comporta a possibilidade de decidir sentidos de voto, através de sondagens que antecedem os actos eleitorais.
Mas esta dissonância foi tão evidente e tão nítida, que levantou finalmente uma questão essencial, que é um valor ético essencial da democracia.
As sondagens não só são falíveis, como não podem ser usadas como mais um instrumento de desvirtuamento da democracia.
Foi esta a mensagem clara, expressa nos resultados eleitorais, que os portugueses ontem deram.

Não houve significativas vitórias partidárias, mas apenas uma derrota.
O que era um dado assente nos comentários de todos os fazedores oficiais da informação, foi completamente posto em causa pelos eleitores portugueses. Ou seja, estas eleições alteraram por completo, aquele estranho discurso de todos, que afirmavam que o único desiderato possível para o futuro próximo, era apenas de retirar a maioria absoluta ao PS e a Sócrates.
O que se provou agora, foi que Sócrates vai ter muitas dificuldades de ganhar as próximas eleições legislativas, o que se provou agora, é que para além de todo o descontentamento, há também alternativa a curto prazo ao actual governo.
O partido socialista vai ter de reconhecer, que a propaganda, as habilidades e os controlos, não são suficientes para iludir o eleitorado português.
Ou reconhece isto, ou intensifica o caminho que tem seguido e ainda se afundará mais. O caminho até ás eleições legislativas vai ser penoso para Sócrates, que hoje já demonstrava publicamente, um grande deficit na sua natural arrogância.
O partido socialista está em dificuldades, também pelo facto do resultado obtido pelo PSD, ter criado uma dinâmica de vitória.
Essa vitória também é uma vitória pessoal da sua actual presidente, que assim viu muito reforçada a sua capacidade de liderança e a sua credibilidade. O PSD, vai agora unir-se à volta dessa liderança que muitos dos seus barões apenas consideravam provisória.
Mas a grande vitória do PSD, foi a demonstração inequívoca de Paulo Rangel, é um politico fiável e credível, ou seja que o partido tem garantida uma sequencia de liderança, o que atenua em muito a questão da idade avançada da actual Presidente, que era a insinuação mais destruidora da liderança de Manuela Ferreira Leite.

Os portugueses souberam responder com sabedoria ao actual momento político.
Na minha modesta opinião, os políticos é que continuam a não saber responder a este povo sabedor.
Nem sequer os políticos novos, dos novos partidos perceberam, que esta era uma oportunidade doirada para a sua afirmação.
Não aproveitaram o momento certo para a afirmação de uma mensagem nova de mudança, mas preferiram fazer o discurso europeu generalista e consonante com os demais, que eliminou qualquer expressão de identificação da sua diferença.
Também eles foram derrotados, talvez por inexperiência, mas em politica… “o que parece é”.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Campanha decepcionante

Os partidos políticos dominantes, o PS e o PSD, lançaram dois temas europeus como dogmas.
O PS, quis fazer passar a ideia que a defesa do Tratado de Lisboa, era uma questão de interesse nacional, até patriótica, pois o nome da nossa capital ficaria a marcar todo o futuro da União Europeia. Fizeram-se até insinuações que isso era de decisiva importância para Portugal, para o nosso prestígio e para a nossa capacidade negocial.
O PSD, lançou o tema do apoio a Durão Barroso para um novo mandato como Presidente da Comissão Europeia, insinuando que isso seria decisivo para a capacidade de influenciar os destinos da União e a salvaguarda dos interesses nacionais.

O Tratado de Lisboa, e tenho pena que tenha sido realizado na nossa capital, será uma nódoa no caminho da construção europeia, porque foi instrumento de uma forma habilidosa para não respeitar os princípios anteriormente acordados, de não avançar com a constituição europeia enquanto algum dos seus países membros a tivessem rejeitado.
O Tratado de Lisboa, ao incluir a constituição europeia, desrespeita vontades expressas democraticamente por alguns povos (Irlanda, Holanda e França).
A Constituição ao contrário do que o PS, nos quer impingir é um caminho de ainda mais distanciamento das decisões dos eleitores e de um nítido decréscimo de influencia, de poder decisório de Portugal enquanto membro da União.

O que o PS, nos quis impingir é uma falsidade.
Com o Tratado de Lisboa iremos perder uma boa parte do actual poder decisório e negocial em nome de uma operacionalidade, que originará progressivas perdas de soberania.
O tema de Durão Barroso ainda é mais ridiculamente contraditório. O actual Presidente da Comissão europeia era o nosso Primeiro Ministro e tinha um contrato eleitoral com os portugueses. Não cumpriu esse contrato e esse compromisso, porque teve de aproveitar uma oportunidade para a sua carreira politica. Não foram os interesses nacionais que o fizeram abandonar esse compromisso e provocar uma crise politica nacional que acabou por ter como consequência, esta maioria absoluta do PS e esta tristeza de governo. Durão Barroso traiu o país e o seu próprio partido. Como acreditar nele, enquanto defensor dos interesses nacionais?

O curioso é que no final da campanha já sabemos que nestes dois temas, que geraram acesa discussão entre os candidatos do PS e do PSD, afinal há acordo entre os dois partidos e que esse acordo e sintonia sempre existiu.
Os dois defendem o Tratado de Lisboa, os dois apoiam a candidatura de Durão Barroso.
Nada disto tem a ver com os interesses nacionais, mas sim com os compromissos de filiação nos grandes grupos europeus. A linguagem e os temas lançados durante esta campanha foram simplesmente formas de branqueamento para com a análise seria das questões politicas importantes e também de justificação para suas as elevadas despesas de campanha pagas pelo erário público.

O mais preocupante é que nestas eleições apareceram novos partidos, que podiam ter aproveitado para deixar uma mensagem de esperança e de mudança, que não souberam ou não quiseram transmitir.
Pois quer o partido da Esperança, quer o partido da Mudança, caíram que nem uns patinhos neste enredo e acabaram também eles por se posicionar tal qual, como os partidos dominantes, sem qualquer reticência.
Não se afirmaram na diferença e como consequência, nem sequer foram ouvidos.
Afinal… que Esperança podemos ter, que expectativa de Mudança?

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Análise conclusiva da Campanha Eleitoral

A Europa vai adoptar o Tratado de Lisboa e uma Constituição que foi rejeitada por muitos, em que outros, como os portugueses, não tiveram sequer oportunidade de intervir.
O poder decisório dos grandes países europeus vai reforçar-se, os pequenos países perdem capacidade de intervenção e soberania. O Parlamento europeu vê reforçados os seus poderes e o distanciamento do processo legislativo para com os povos, acentua-se.

Não foi nada disto que se discutiu na campanha eleitoral.
Ela foi exclusivamente um combate interno de afirmação dos partidos políticos nacionais.
O que está em causa para os partidos políticos portugueses é a luta pelo poder em Portugal.
Assim para os representantes políticos actuais, o futuro da Europa é uma inevitabilidade que já está decidida, pelos outros a que temos de nos sujeitar.
Esta é verdadeira dimensão dos nossos actuais políticos e dos nossos partidos dominantes.
Também eles estão resignados a uma Europa construída na base de interesses diferentes dos nossos, de princípios dissonantes dos valores democráticos, que irá limitar a nossa influência e soberania.
Os partidos dominantes portugueses estão resignados, como já conseguiram a resignação duma parte substancial dos portugueses, que não se revêem neles.
Numa perspectiva histórica tudo isto representa uma lamentável consequência, da falta de qualidade dos nossos políticos e de uma lamentável ausência de afirmação nacional, que nada tem a ver com o nosso grandioso passado como país.

Os políticos portugueses, numa demonstração inequívoca da sua pequenez de estatura politica, seguem as dinâmicas induzidas pela sua ambição pessoal e pelos seus interesses imediatos.
Durão Barroso, o actual Presidente da Comissão Europeia foi tema de campanha. Mesmo aqueles que condenaram a sua atitude, só comparável aquela que tiveram muitos nobres que foram comprados por Filipe II em 1580, optam por defender a sua recandidatura ao cargo, com o argumento de manter alguma capacidade de influência nacional.
Todos reconhecem a verdadeira realidade do caminho que a Europa vai prosseguir e as graves consequências que ele vai trazer para Portugal. Mas não lhes interessa tomar posição e agarram-se a simbolismos absolutamente irrealistas.
Eles estão apenas a reforçar o alheamento popular para com o Projecto Europeu.
Este fenómeno não é exclusivamente português, o que levanta uma gravíssima questão, pois cada vez será mais evidente o afastamento dos povos relativamente ao processo de evolução da União, que assim vai abdicando do principio essencial que a consolidava, que era a sua construção com base na inequívoca vontade dos seus povos.

Os políticos nacionais, estes provincianos sem consistência surgidos no pós revolução, nem sequer apreciam outros fenómenos sociais que são protagonizados por um cada vez maior numero de portugueses, pois apenas olham no sentido que mais os interessa pessoalmente, ou seja para a Europa, que lhes abre as portas para suas carreiras.

Um terço dos portugueses vive e trabalha fora de Portugal.
É surpreendentemente crescente o fenómeno migratório para os países de língua portuguesa, especialmente para Angola.
Todos eles fazem parte da Nação.
Eles representam indiscutivelmente uma nova oportunidade nacional.
Ou os esquecemos e permitimos que se afastem e se enraízem noutros lugares ou lhes damos a indispensável atenção e importância.
Eles estão a transmitir uma importantíssima mensagem politica com a sua opção migratória e essa mensagem irá assumir uma progressiva pressão social que terá mais cedo ou mais tarde ter consequências políticas surpreendentes.
A lição politica dos nossos novos emigrantes, não está a ser entendida e está até a ser ignorada, porque os nossos políticos estão a olhar apenas para o seu próprio umbigo.
Mas Portugal não é este pequeno país, dos actuais políticos e dos actuais partidos dominantes. Portugal é uma grande Nação, constituída por todos os portugueses, que através da sua identidade como povo antigo e sabedor, saberá resistir às fraquezas temporais e encontrar os caminhos, como sempre o sobe fazer ao longo da sua história.
A questão que se levanta e que os políticos actuais querem esconder é uma questão simples mas decisiva para o nosso futuro.
Ser cidadãos portugueses, integrados na União e presentes em todo o mundo, ou passar a ser cidadãos europeus?
A resposta sem subterfúgios a esta questão, deveria ser respondida por todos os candidatos ao Parlamento Europeu.
Não será assim e a politica continuará o seu caminho de ciência obtusa e obscura, afastando dela, um cada vez maior número de cidadãos.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Publicidade, condicionante e espartilho...

A publicidade assume um papel determinante nas nossas escolhas.
Ela dirige a nossa vida, até o nosso conhecimento, a nossa cultura.
Mudamos os nossos hábitos alimentares, os nossos hábitos de vida, até os nossos gostos e interesses, tudo induzido pela publicidade.
Não se promovem negócios e produtos sem uma correspondente campanha publicitária. O investimento publicitário é essencial no sucesso das actividades comerciais, na produção e nos serviços.
O retorno do investimento publicitário é a principal medida do sucesso empresarial.
Tal como nos produtos e nos serviços o consumo da cultura, é também condicionado pela publicidade. Lemos os livros, vemos os filmes e os espectáculos, mais publicitados, vamos ao museu, á região e à cidade que teve uma boa campanha de promoção.
A publicidade tem também outras consequências. A da ansiedade consumista, que é uma doença moderna, que gera o desperdício. A do desprezo por noções de qualidade de vida e de consumo, tais como determinados hábitos e valores que se perdem, produtos de qualidade e tradicionais que se deixam de vender e promove o endividamento, porque a poupança desaparece como bom princípio da organização das famílias.
Também na política é assim.
Sem necessidade de rigor quanto ao retorno do investimento publicitário, os resultados eleitorais têm uma relação directa com as despesas de promoção de cada partido nas campanhas eleitorais.
A publicidade, é também determinante na receptividade da mensagem politica e condicionante das opções de voto dos eleitores.
Isto levanta questões muito importantes sobre as quais é preciso reflectir.
Em que medida é o investimento publicitário responsável pelas escolhas eleitorais ?
Ou seja em que medida um mero instrumento financeiro, é responsável pela escolha de uma proposta politica, de uma ideia ou de um governo?
Ainda mais, qual é o peso deste mero instrumento financeiro, como instrumento de desvio perante a análise íntima de cada um, face às propostas políticas?
Avançando ainda um pouco mais, poderíamos ponderar até que ponto este instrumento financeiro, se sobrepõe às ideologias ou às propostas politicas.
Estas são um conjunto de questões, que a ciência politica deveria estar a analisar e a dar respostas.
A verdade é que uma mensagem politica, tal como um produto ou um serviço, não se consegue impor, nem sequer ser conhecida, se não tiver na sua divulgação uma consistente campanha publicitária.
Por isso os partidos novos têm grandes dificuldades de singrar, se não tiverem ou meios financeiros para a publicidade ou o apoio da comunicação social nacional.
Logo estamos num impasse democrático de enorme gravidade.
A ideia nova, a proposta diferente, só pode ter audiência se por detrás dela estiver os meios financeiros suficientes para uma grande campanha publicitária. Estes meios financeiros não estão disponíveis na sociedade civil e por consequência só podem ser obtidos por contrato, ou seja através de compromissos que irão condicionar toda a independência.
A democracia perde assim toda a sua capacidade de rejuvenescimento.
A actual campanha eleitoral é nesta perspectiva um exemplo importante para reflexão.
Os novos partidos e os partidos pequenos, aproveitam as eleições para o Parlamento Europeu para tentarem a sua implantação e a divulgação das suas mensagens.
Para eles é o momento privilegiado de actuação.
Mas com o decorrer da campanha temos dificuldades de os ver e dos ouvir, fora dos espaços dos tempos de antena, que já ninguém tem pachorra para ver.
Os partidos que recebem do erário púbico avultadas verbas impõem-se nas suas campanhas publicitárias de tal forma que abafam todos aqueles que não auferem desse benefício.
A ideia nova, ou nova proposta, nem sequer tem condições para ser ouvida.
Os órgãos de comunicação social também os omitem. Desprezam-nos até.
Seria interessante que a ciência politica, também desse resposta a esta questão tão evidente e lamentável.
Tal com a nossa Maçã Bravo do Esmolfe, deixou de ter mercado e não se impõe…pois apesar de todo o seu magnífico sabor não foi capaz de se comparar com aquela outra do supermercado, que beneficiou das campanhas publicitárias, também a ideia nova e a nova proposta não foi analisada, nem ponderada.
O problema é que esta ideia nova e nova proposta, poderia ser melhor para todos nós, poderia ser mais motivadora e mais mobilizadora para se ir votar.