segunda-feira, 9 de maio de 2011

Da revolução imposta á derrota de Sócrates.

A loucura ideológica, dita de esquerda, está na origem do total descalabro das contas públicas.
Esta loucura, começou com a invasão ideológica socialista pós 25 de Abril, em que ao Estado competiria a manutenção e orientação de toda a sociedade.
O mais grave, não foi as enormes despesas e desperdícios no erário público, mas sim, a nova mentalidade que rapidamente se generalizou entre os portugueses. Ao Estado passou a competir a garantia dos direitos e dos rendimentos, mas pouco exigente nas obrigações, permissivo nos aproveitamentos individuais, de grupos, de partidos políticos e de seitas.
Os portugueses aproveitaram esta mensagem política, obtiveram vantagens, mas acomodaram-se de tal forma que acreditaram poder viver sem esforço. A garantia de rendimentos passou a ser a preocupação dominante de cada família, independentemente do seu contributo para crescimento da economia e da riqueza nacional. Ter emprego, subsídio, o serviço gratuito, manteve ao longo de todos estes anos a ilusão de poderíamos viver eternamente às custas de um Estado, que até tinha conseguido, que uma maioria vivesse substancialmente melhor.
A permissividade originou uma enorme promiscuidade e a corrupção generalizada. Pertencer a esta máquina do Estado, passou a ser o passaporte do rápido enriquecimento e da ambicionada influência perante os demais agentes da sociedade civil, nomeadamente as empresas, comunicação social, até sobre a Justiça.
Os partidos políticos da área governativa, passaram a ser os veículos que transportavam para os privilégios todas as mais diversas ambições.
O PS, passou a ser a principal central de transporte, dos “Zé Ninguém” ao estrelato da influência política. O PSD, o mais escolhido, para premiar a promiscuidade política empresarial, financeira e jurídica.
Passaram estes partidos a ser o suporte de um sistema político, que preservando a influência dominante do Estado, era cada vez mais um Estado tentacular e despesista, neutralizante da sociedade civil, mas servidor de interesses financeiros e estrangeiros.
O sistema político associado aos interesses financeiros e de alguns sectores empresariais, criou a ilusão do crédito ao consumo, que foi a mais grave alienação política, que veio a originar o endividamento generalizado e a consequente dependência partidária da classe média.
Garantiam assim, estes dois partidos dominantes, com o apoio possível e sempre ansioso do CDS, que o sistema político se fosse perpetuando.
Desde os finais do século passado que os indicadores deram sinais aos políticos da exigência de mudança de rumo.
Guterres fugiu, Barroso declarou que estávamos de “tanga” e soube aproveitar a oportunidade de se livrar deste buraco, Santana Lopes apesar de tudo, não era suficientemente louco, para dirigir o descalabro…até que foi encontrado o perfil ideal da irresponsabilidade e do aventureirismo … Sócrates conseguiu esta brilhante proeza, de ao longo de seis anos, enganar a maioria dos portugueses, alimentar a sua ilusão de continuarmos a viver e a acreditar que poderíamos continuar eternamente, a pedir emprestado para pagar uma despesa muito superior ao nosso rendimento colectivo.
Ou seja, conseguiu manter o caminho inevitável da falência colectiva, preservando a loucura ideológica de base e distribuindo de tal forma habilidosa, os privilégios, que conseguiu dominar a oposição, o descontentamento e alicerçar um sistema de propaganda pessoal e partidário, ao nível da mais repressiva ditadura.
A bancarrota era uma premeditação dos sensatos há mais de uma década e os mercados tornaram-na uma realidade.
Sócrates foi derrotado pela realidade…as suas acusações são ridículas.
A Troika (FMI; EU e BE) veio trazer-nos a revolução imposta.
A partir de agora o PCP e Bloco de Esquerda se assumirão cada vez mais, como partidos reaccionários a esta mudança radical, que há muito se impunha.
O PS encarnou a reacção promíscua e interesseira…preservar a mentira ideológica, beneficiando dela.
O PS, vai ter muita dificuldade de voltar a recuperar desta derrota de Sócrates, pois a revolução só agora se vai iniciar e a sua dinâmica não pode nunca ser a do passado, que manifestamente os portugueses irão rejeitar quando libertados desta propaganda dominadora.
A revolução iniciada, que não fomos capazes de fazer e nos foi imposta, não será apenas de natureza financeira, pois a crise que originou a dramática situação das contas públicas é acima de tudo de valores e política.
A revolução prosseguirá o seu ritmo, após o plebiscito de 5 de Junho…onde a nossa única escolha possível é a de penalizar ou sucumbir perante o actual 1º Ministro.
Competirá à sociedade civil, exigir o novo rumo e determinar o futuro político e estratégico de Portugal…este sistema está caduco, viciado, auto-neutralizado e não será capaz de ultrapassar esta mísera condição, de originar meros governos de gestão das imposições externas.
Viver como dependentes e submissos, não é uma condição dos portugueses.
Outras referências terão de surgir…é difícil porque este sistema é autocrático … mas é uma exigência nacional e um desígnio que teremos de cumprir para mantermos a nossa independência, soberania e identidade.
José J. Lima Monteiro Andrade

Povo usurpado

Povo usurpado

O povo está carente
Aparentemente resignado
Apesar de descontente
Espera paciente
Não está ainda revoltado.
Este povo é crente,
Também inocente,
Facilmente enganado.
É um povo generoso,
Que acredita no falacioso,
Na mentira do mentiroso,
Porque é bem formado.
Não reage facilmente,
Menos ainda com violência,
Aparenta condescendência,
Povo sabedor e consciente.
Não teme o sofrimento,
Está habituado à pobreza,
Venceu sempre o mau momento,
Este é o seu pensamento,
Esta a sua firmeza.
Beneficia enquanto é tempo,
Esta a sua esperteza.
Povo com um longo passado,
Sofredor, tantas vezes usurpado,
A sabedoria é a sua riqueza,
Também o seu pecado.

José J. Lima Monteiro Andrade

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Sócrates , o herói negociador

O nosso 1º Ministro para além do mais é uma bizarra figura.
Há 15 dias apresentava-se como o herói da resistência da invasão satânica, do temeroso FMI.
Ontem apresentou-se como o herói negociador, que impediu todos os males que os satânicos e sinistros do tenebroso FMI, nos queriam impor.
O sentido propagandístico de Socrates, é a essência da sua consistência política.
A ausência de sentido crítico da população portuguesa, cerceado pela propaganda oficial do sistema, alimentado por uma comunicação social dependente, é o pilar de sustentação de protagonistas políticos deste calibre.
Não sei a que negociação se refere o 1º Ministro, seria interessante conhecer esses pormenores negociais. Sei, que logo apareceu Catroga a reivindicar para o PSD, muitas vitórias negociais.
Desconfio que a verdadeira negociação foi interna entre as instituições que compõem a troika.
Estou ansioso pelo esclarecimento cabal desta situação.
Os partidos dominantes, ainda nos querem fazer crer, que têm alguma influência sobre os destinos de Portugal no curto prazo, depois de nos terem colocado numa situação de banca rota, pela sua inconsciência, irresponsabilidade e ansiedade de usufruto de benesses e privilégios.
Os partidos dominantes mantêm uma atitude de sobranceria perante o povo português, usando e abusando do seu bom, interpretando maliciosamente este sentimento colectivo como uma submissão ou mais grave ainda como uma incapacidade de compreensão, acreditando que o podem continuar a manipular, como o exclusivo intuito da preservação dos seus poderes.
Eles são os donos de Portugal e os portugueses os seus submissos apoiantes…é nesta premissa, que desvirtuou o sentido da democracia, que se sustenta todo este sistema político, que criou uma sociedade de ilusão, medíocre, sem capacidade reivindicativa, dependente, injusta e insolvente.
Mas estes novos donos de Portugal, que nos asfixiam e manipulam, estão eles próprios, totalmente sujeitos a dominâncias de lobies e de interesses, precisamente porque a sua motivação para a coisa pública não é um serviço de paixão pelo país, mas simplesmente os seus próprios sonhos de protagonismo pessoal e os seus interesses mesquinhos.
Por isso desconfio que esta negociação, resultou de um equilíbrio entre interesses financeiros e políticos, em que se exigiu a nossa subordinação total e se porventura deste acordo resultar alguns benefícios para Portugal, eles não decorrem da visão politica dos nossos partidos, mas sim, da sua incapacidade.
Aquilo que se propagandeou como “ajuda externa”, terá assim este significado perverso de ajudar a manter estes partidos incapazes, irresponsáveis e dependentes, como base da sustentação de um sistema político que criou esta lamentável dependência aos interesses alheios e esta sociedade de subsistência das injustiças e cada vez mais impossibilitada de assumir o seu direito de auto-governar.
Exigir e escolher em liberdade foi um sonho …. a democracia portuguesa está apenas restringida a uma cada vez mais ténue possibilidade de sancionar periodicamente as decisões que nos são impostas do exterior.
Por incapacidade nossa (dos políticos que mantivemos), por dependência ideológica colectiva a soluções do passado que estão caducas e formas de organização política e administrativa desadequadas.
Paralisados como sociedade, pela dependência a estas forças políticas, desenraizados dos nossos valores de diferenciação, ficamos cativos e perdemos a nossa dinâmica e criatividade colectiva.
Incrédulos, porque não vislumbramos alternativas a um sistema político, do qual maioritariamente desconfiamos e nele não nos revemos.
As referências políticas actuais, são passado…a motivação colectiva deste magnífico povo, só poderá acontecer com novas referencias, credíveis e apaixonadas.
José J. Lima Monteiro Andrade

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Os apelos de união nacional do Presidente da República, são patéticos e só comprovam a sua incompetência.

Há muito tempo que o senhor Presidente da Republica deveria saber, que era inevitável o resgate da divida publica nacional e o pedido formal de intervenção do FMI.
Se não o sabia é porque afinal é um fraco economista ou uma personalidade mal informada sobre as finanças públicas, o que manifestamente não pode ser verdade.
O sr. Presidente foi agindo na sua ténue magistratura de influência, preservando um governo irresponsável, que não lhe ligou peva e por consequência essa sua influência foi nula.
As manobras dilatórias do governo, expressas em PEC’s e mais PEC’s, acabaram por originar a natural atitude conjunta das forças partidárias de oposição, pois a farsa já era demasiado evidente.
A Banca deu o mote aos partidos…”não temos condições para suportar mais a divida do Estado”.
O sr. Presidente da Republica, foi incapaz de estar à altura dos acontecimentos e de exigir dos partidos uma atitude responsável, perante a evidente situação de colapso das nossas finanças.
Num momento de pedido de intervenção, que exigiria uma negociação forte e unitária, o sr. Presidente decidiu, convocar eleições e manter em funções de gestão o governo , principal responsável pela nossa falência.
Uma decisão desastrosa, tendo em atenção que era uma evidente forma de viabilizar a desresponsabilização do governo e de promover um clima de intensificação da luta partidária.
O Sr. Presidente não teve coragem para colocar os interesses nacionais e preferiu lavar “as mãos”, tentando dar a entender que competiria aos partidos a solução da grave crise nacional…como se isso fosse possível num clima de campanha eleitoral…como se isso fosse o desejável perante a necessidade de criar uma forte e maioritária frente de negociação.
Nada impediria que a exigência que faz para o futuro, de uma maioria parlamentar governativa tivesse sido feita sem dissolver o Parlamento e se o tivesse feito então estaríamos agora bem esclarecidos de quais os partidos e quais os dirigentes partidários tinham sentido de Estado.
Se nenhum quisesse assumir essa possibilidade, também nada impediria o sr. Presidente de nomear um Governo de unidade nacional, que obviamente teria de fazer passar o seu programa na Assembleia da Republica e se não passasse, ficaríamos a conhecer as razões dos partidos políticos, o que pelo menos seria um enorme contributo para a transparência democrática.
Patético é assim agora este apelo do Sr. Presidente, pois teve como responsabilidade política criar essa exigência de unidade e abdicou dela.
É hoje humilhante verificar a nossa submissão à Troika….toda esta lamentável romaria de chapéu na mão dos nossos políticos e dos nossos dirigentes da chamada sociedade civil.
Uma vergonha colectiva, de fraqueza e de submissão, em que chegamos ao cúmulo do ridículo,de ouvir o Presidente de uma Confederação Socio-profissional afirmar após uma reunião com a Troika…” viemos «PEDIR » que se mantivessem os fundos estruturais para o desenvolvimento da agricultura”.
Como poderíamos ter alguma capacidade negocial, neste clima político criado pela atitude do senhor Presidente da Republica? Como poderíamos ter a tal unidade nacional indispensável ? Como poderíamos ter a responsabilização política?
As eleições vão ser uma farsa…uma lamentável farsa, porque nenhuma partido politico do arco governativo poderá com verdade apresentar um programa de governação, que não nos seja o imposto pela Trioka e ainda por cima sem ter sido convenientemente negociado como resultante desta decisão lamentável de convocar eleições neste momento decisivo.
A incompetência do sr. Presidente da República, que não sei se é resultante da sua incapacidade política ou do seu carácter, acabou por ser, a mais irresponsável atitude política, que conseguiu até esta notável contradição, de diluir a própria irresponsabilidade de José Socrates e aí estão as sondagens a evidencia-lo.
José J. Lima Monteiro Andrade

domingo, 24 de abril de 2011

25 de Abril. Mataram o sonho.

25 Abril
Mataram o sonho


Cantaram-se hinos à liberdade,
Firmes promessas de igualdade,
Em que o Povo acreditou.
Encheram-se as ruas de alegria,
A única coisa que se ouvia,
Era que a ditadura acabou.

Foi um Abril de esperança,
Uma época de mudança.
E os acusados de traidores,
Que desde logo apareceram,
Em voz alta, prometeram,
Mudanças ainda maiores.

Quiseram esses novos senhores,
Impor-nos outros valores
Trazidos de uma terra fria,
Aquela era a sua oportunidade,
E em nome da liberdade,
Esqueceram o que o povo queria.

Apareceram então outros senhores,
Que falavam como salvadores,
Da vontade popular.
Prometeram dar voz ao povo,
E o que aconteceu de novo,
Foi que o povo voltou a errar.

Votou o povo em vendedores,
Que foram novos traidores,
Em que muitos acreditaram.
Património vendido e desperdiçado,
Um risco na história e no passado.
País sem rumo foi o que deixaram.

Com liberdade e pouco mais.
Começa o tempo dos ideais,
Mas pobre era a imaginação,
Todos falavam igual.
O socialismo era afinal,
Para todos a única solução.



Ficou apenas a democracia.
Mas como ideais, já não havia…
Que democracia podíamos ter?
Partidos que mais não são,
Espelhos da desmedida ambição,
ambição de riqueza e de poder.

É justo referir a excepção,
De generosos com ilusão,
Que não podemos esquecer.
Determinados e apaixonados,
Homens bem preparados,
Que acabaram por morrer.

Mas o que no fim ficou,
E o que mais a todos marcou,
Não foi nunca a qualidade.
Sacrificaram-se os inteligentes
Crucificaram-se os crentes.
Favoreceu-se a mediocridade.

Sem uma única boa referência,
Este país de longa existência,
Perdeu a sua identidade.
É hoje apenas uma região
Vivendo como pedinte e em ilusão,
Do país, nem sequer à saudade.

E o povo que em Abril vibrou,
Que generosamente acreditou,
Está incrédulo e desorientado.
Tem um Estado que o despreza,
Que o empurra para a pobreza,
Triste povo que está cansado.

A História o povo já não conhece
Sem uma identidade, padece,
Triste povo, que foi risonho.
De onde saiu a inteligência,
Pior ainda, a decência,
Que matou todo um sonho.

José J. Lima Monteiro Andrade . 2008

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A irracionalidade ganhou estatuto de objectivo nacional

Atiramos a toalha ao chão, porque não fomos capazes de atempadamente emendar o erro e o vício de viver apenas de acordo com os nossos rendimentos e possibilidades.
Esta irracionalidade manteve-se ao longo de mais de uma década e agudizou-se com a irresponsabilidade de um Governo, que negou a verdade e promoveu a inconsciência colectiva.
Uma dupla irracionalidade.
Os nossos credores, a quem pedíamos dinheiro para manter estas irracionalidades, naturalmente que perderam a confiança e exigiram progressivas garantias e mais elevados juros pois os riscos do seus negócios eram cada vez maiores.
A culpa é dos credores, do mercado, onde precisávamos de nos manter, para manter a irracionalidade.
Uma tripla irracionalidade.
A situação passou a insustentável, mesmo com as sucessivas avalanches de PECs e de austeridade avulsa, os mercados não confiavam, as suas exigências prosseguiam e chegamos a um momento de evidente constatação da insolvência da nossa divida soberana.
As irracionalidades governativas, originavam assim a única saída…a inevitável intervenção externa.
Mas nem isto, foi reconhecido atempadamente pelo governo irresponsável…adiou-se, protelou-se em nome da mentira e da sonegação ao povo da realidade. Deu o Governo preferência a uma estratégia de sucessivos pedidos de sacrifício, preservando a mentira de que seriam suficientes.
Escondeu-se a realidade da situação financeira do Estado, para preservar o povo sereno e iludido.
A quadrupla irracionalidade.
Esta estratégia de irracionalidade foi protagonizada por um partido, que não tinha suporte maioritário parlamentar, nem popular, mas que ia tentando compromissos falsos e ténues que lhe iam garantindo a gestão pública ruinosa.
Chegou um momento em que o maior partido da oposição não teria mais condições de suportar tais compromissos, sob pena de esvaziamento total da sua função. Finalmente disse não.
O 1º Ministro pediu a demissão e acusou a oposição de irresponsabilidade, pelo não definitivo à gestão ruinosa e enganosa.
A quíntupla irracionalidade.
O senhor Presidente da Republica, entende convocar eleições e manter o governo em gestão num momento de evidente desconfiança internacional sobre a nossa governação e de eminência de uma negociação de salvação nacional.
Manter nas em negociações vitais para o nosso futuro esta desconfiança, debilidade e insegurança, foi um acto de irresponsabilidade do mais alto magistrado, que abdicou num momento chave, da sua função e das suas responsabilidades, lavando as mãos, num acto lamentável, de negação de sentido de Estado.
Sêxtupla irracionalidade.
É pedida a chamada “ajuda externa” (que designação tão enganosa!!!) , que mais não é do que uma penhora, em que o direito de soberania é entregue a organizações internacionais de natureza financeira.
Hipotecamos uma Nação, como se fosse uma empresa e vamos alegremente escolher, em eleições, quem é o mandatário deste vexame.
A democracia que foi sendo asfixiada ao longo dos anos de desvario nacional, que foi dominada e anulada pelos interesses partidários, fica assim também penhorada.
O direito natural de escolha, foi substituído pelo vexame democrático, de ser “oferecido” aos portugueses a oportunidade de avalisarem, as políticas e as opções determinadas por instituições financeiras internacionais.
A irracionalidade nacional, foi assim um objectivo alcançado.
José J. Lima Monteiro Andrade

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A lição Fernando Nobre

A lição Fernando Nobre.
Ser independente exige ser livre … “ a liberdade só existe quando todos os actos concordam com todo o nosso pensamento – Agostinho da Silva”
Não é este o perfil humano de referência nacional promovido por este sistema.
Nem sequer o da coerência. A Coerência que deveria ser a base da credibilidade, é por este sistema político, condição de ostracismo.
A coerência e a credibilidade são os grandes inimigos dos partidos dominantes do actual sistema político.
Nem o PS, nem o PSD, poderiam deixar em liberdade Fernando Nobre…infelizmente Fernando Nobre não era livre e o seu discurso eleitoral foi uma fraude.
O PSD não tem grandes ilusões quanto ao número de votos que esta sua nova “contratação” lhe irá trazer… o mais importante é o reforça do seu discurso…abertos aos independentes…que permitirá a opção eleitoral de muitos descontentes.
O mais grave não é a atitude de Fernando Nobre, é sim, o significado político, desta aparente contradição.
Os partidos dominantes, são dominadores e não admitem nenhum esboço de movimentos políticos independentes.
Nem os partidos dominadores, nem as seitas dominantes…mas como provar… que Fernando Nobre foi apenas um instrumento? Ele nunca sairá de avental à rua e como ficou demonstrado tem uma personalidade perfeitamente adaptada a este sistema em que a mentira é a rainha, que abafa sempre a verdade.
Esta lição é particularmente importante para os movimentos de independentes, determinados em construir uma alternativa credível de mudança…
Os partidos e as seitas, estão muito atentos…as suas acções de neutralização são tanto mais fortes e objectivas, quanto mais temerem a força da congregação do descontentamento.
Eles nunca admitirão alternativas, eles são os donos do sistema.
O seu discurso será sempre este…estamos abertos à mudança…mas por dentro, segundo as nossas regras.
Porém, essas regras são os pilares desta Oligarquia e a desgraça de Portugal, a negação da liberdade e da democracia.
José Andrade

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Eleições ou Fraude?

Este Governo e Sócrates, estão-se a comportar como aquele jovem a quem o pai autiroizou a fazer despesas, garantindo o pagamento das contas e sem cuidar de lhe exigir a indispensável contenção...mentalidade generalizada nestes tempos...este facilitismo, gera a inconsciencia juvenil e a irresponsabilidade...chegou o momento em que o pai já não tem dinheiro para pagar....o filho responsabiliza-o e acusa-o...que infantilidade...o grave de tudo isto é que o Pai é o povo português....mas ao pai está vedada a atitude correcta de não permitir mais desvarios dos filhos...ou seja está condenado...a menos que tome as rédeas definitivas da situação e obrigue os filhos a viver com a contenção necessária aos rendimentos da família e lhes incuta o sentido da poupança e da responsabilidade.

O pai terá de ser informado da realidade da divida ocasionada pelos filhos...da verdade, para depois saber como agir e como decidir ... é isto que o povo português tem de exigir...caso contrário nunca qualquer decisão poderá ser objectiva...ou seja as eleições serão uma fraude.

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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Reflexão sobre Política Agrícola

Começa a generalizar-se em Portugal a preocupação sobre o estado actual do nosso sector primário.
A questão agrária ganhou adeptos, pelo reconhecimento social da sua debilidade actual.
É francamente positiva esta tomada de consciência social, apesar de tardia.
A questão pode ser abordada em dois níveis, ambos de natureza política.
1- Através dos direitos dos povos que constituem Nações, terem o direito inequívoco a uma reserva estratégica alimentar, que no caso português está a um nível que coloca totalmente em causa a soberania nacional e um direito básico e essencial da sua população.
2- Através da perspectiva correcta do aproveitamento dos recursos naturais, do equilíbrio social e ambiental harmonioso de todo o território e ainda na vertente económica e financeira de produzir para o mercado e diminuir a dependência e os custos em produtos importados.
Se podemos aspirar a um alargado consenso teórico sobre as premissas anteriores, já será bem mais difícil encontrar consensos quanto às soluções a adoptar.
Portugal perdeu a sua autonomia em termos de política agrícola e tem apenas a débil faculdade de influenciar as políticas sectoriais agrícolas da União Europeia.
Existe até uma tentativa de colocar no debate da agenda política a questão, se deveremos ou não, ter num Governo um Ministro da Agricultura.
Efectivamente, de acordo com os Tratados a nossa margem de manobra para mudar a situação da Agricultura e das Pescas, é ao nível dos princípios políticos e muito menos de natureza sectorial.
De acordo com o 1º nível de análise enunciado (a questão da soberania nacional) é evidente que se trata de uma questão de natureza política da própria União Europeia … ou estamos perante uma Federação ou estamos perante Nações, que não podem (não devem) abdicar dos seus próprios interesses e muito menos ficarem sujeitos a situações de inferioridade, marginalização e penalização, seja de natureza alimentar, seja económica, social ou ambiental. Se estamos disponíveis para o caminho Federal, então teremos de aceitar esta marginalização no aproveitamento dos nossos recursos, o elevado custo da nossa estagnação agrária, a exploração dos nossos recursos marinhos e os riscos evidentes de carências de abastecimento alimentar.
A opção é assim de política externa portuguesa, nada tem a ver com facto de ter ou não ter ministro, mas sim de querermos continuar a ser Nação ou simples Região ou Estado.
Defendi sempre, que cada Nação da União Europeia, deveria ter o direito à definição rigorosa, dentro de um princípio definido na dupla consideração sobre dois conceitos fundamentais…o direito a uma reserva estratégica alimentar de produção própria ( com políticas autónomas de fomento) e o direito à sua harmonia territorial paisagística e ecológica que nunca será possível sem uma politica agrícola diferenciada e adaptada às particulares situações de Portugal.
A abordagem de acordo com o 2º nível de análise política para o sector primário, implica uma clarificação de qual é a nossa actual e real autonomia política para tomar decisões de apoio ao desenvolvimento do sector primário.
Qual o nosso espaço de manobra político?
A actual Politica Agrícola Europeia, a que estamos vinculados, impede-nos de medidas próprias de fomento agro-pecuário. Já seria excelente, mesmo sem a abordagem da questão da soberania alimentar, mesmo que não tivéssemos capacidade para alterar a injusta actual Politica Agrícola Comum, agir de forma a viabilizar o que nos resta de Agricultura e Pescas e com isso tentar manter uma parte da população activa no sector primário.
Para tal, também não será determinante a existência ou não de Ministro da Agricultura…seria determinante o reconhecimento de que salvo as excepções (parte do sector vinícola, horto-frutícula e parte do sector Florestal), os outros subsectores não têm condições de viabilidade financeira empresarial e mesmo familiar, pelas limitações naturais da nossa estrutura agrícola e climática … mas sobretudo porque a essas limitações se adicionam os custos elevadíssimos de produção, que decorrem dos preços dos combustíveis e energia, que impõem preços incomportáveis de muitos outros factores de produção ( rações; adubos; serviços; pesticidas; etc) aos sub-sectores, que impossibilita totalmente a concorrência num mercado globalizado.
Esta margem de manobra é assim, também ela exclusivamente politica … se queremos ter Agricultura e Pescas nos níveis mínimos aceitáveis … haverá que fazer uma politica específica de preços da energia e dos combustíveis, não apenas para o sector mas também para toda a indústria que lhe está a montante e transformadora… o Estado português, como está impedido de interferir nos preços, se quer preservar o mínimo de produção alimentar, terá de fazer uma decisiva opção política de isenção fiscal para o sector ou melhor de não penalização fiscal para o sector.
A esta politica de contenção dos preços dos factores de produção, terá ainda de ser assegurada uma politica de credito adequada e de cobertura de riscos…que o Estado português nunca quis encarar a serio, o que nomeadamente levou a que os investidores estrangeiros tivessem em Portugal muito melhores condições de sucesso, em particular os espanhóis, mas não só, que compraram muitas terras em Portugal e usaram muitos fundos estruturais destinados aos portugueses.
É evidente que não estamos a falar de desenvolvimento da Agricultura, que imporia o reconhecimento de Bruxelas da especificidade da nossa agricultura e mudanças nos fortes bloqueios e cotas de produção que nos são impostas …. estamos apenas a referir, em preservar o mínimo do razoável, numa perspectiva nacional.
É fundamental ter a noção que a actividade agrícola, pode ser estimulante como forma de vida, mas implica fortes sacrifícios que quem nela não é formado, dificilmente aceita na sociedade moderna… ocupação permanente e diária, sem direito a Ferias e Fins de Semana, no campo faça chuva ou sol, sem horários, pois o animal não escolhe o dia para parir ou adoecer e precisa de comer todos os dias do ano, pois o ataque do fungo, bactéria ou insecto, não espera pela hora conveniente ao agricultor, porque exige uma dedicação e um espírito muito especial em que o risco é uma constante e a compensação é muito aleatória.
A arte de empobrecer alegremente…como se dizia sobre a agricultura, de onde quem sai já não volta mais, nem seus filhos e netos.
A actual situação da Agricultura e também das Pescas portuguesas, é muito delicada e exigiria a devida atenção política e social.
Implica com gravíssimos problemas, que sem uma urgente e diferente abordagem da questão agrícola e piscatória, apenas se agravarão…problemas sociais e de ocupação do território, problemas ecológicos e ambientais, problemas económicos e de segurança alimentar da população.
Mesmo sem termos o direito a ter um Ministro da Agricultura (que Bruxelas dispensa) e uma Politica Agrícola (que Bruxelas impede), há que salvar o património nacional, humano, social e territorial …pela preservação dos que ainda restam como agricultores.
Salvaremos assim uma parte importante de Portugal, até em valores e tradições.
José J. Lima Monteiro Andrade

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Um desastre este Chefe de Estado.

Cavaco atemorizava todo o país (apenas à dois meses) com os perigos da “Bomba atómica” que seria uma crise política que levasse a eleições … hoje ele despoletou essa “BOMBA”…seguindo a vontade dos partidos … como é fantástico para os partidos ( os grandes responsáveis por este drama) ter tal préstimo do Chefe de Estado …que assim se comporta como simples “empregado” partidário… exige rigor e verdade…mas nega uma auditoria publica às contas publicas e à situação real…coitados de nós...um PR que exije uma nova maioria, mas que deu posse a um Governo minoritário que comprometeu totalmente Portugal...um PR que apela ao consenso nacional dos partidos, mas foi incapaz de exigir esse consenso previo a umas eleições...um PR que anda a reboque e que não serve os interesses nacionais....o "rating da Republica" está proximo do lixo...o que é absolutamente normal com este Presidente ... um PR que insinua que o Governo tem poderes para pedir ajuda externa e que afirma que apoiará essa eventualidade, sabendo previamente que o actual Governo afirma que não tem poderes para o fazer...ou seja é o próprio PR que está a introduzir uma polémica política sobre uma questão fulcral e a promover a crispação política que afirma ser negativa para o país...um autentico desastre político este Chefe de Estado.

Cavaco foi incapaz de estar à altura da situação de urgencia nacional que carecíamos...TRISTEZA.

José J. Lima Monteiro Andrade

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