sexta-feira, 12 de março de 2010

O bloqueamento nacional

A maioria dos portugueses não valoriza os valores éticos e morais no cumprimento do serviço público.
A maioria dos portugueses não condena a corrupção, nem a mentira dos políticos.
São as sondagens e os inquéritos à opinião pública que de demonstra esta verdade, como é este triste espectáculo de suspeição generalizada sobre a classe política, ainda as últimas eleições autárquicas onde arguidos e até condenados, ganham eleições por maioria.
Este é um sintoma de uma doença muito grave da sociedade portuguesa.
Baseava-se a doutrina republicana no conceito da “Virtude”.
Conceito adulterado, conceito amordaçado, desprezado, assassinado.
As referências para a participação política e para o exercício da função pública são assim desastrosas.
O Presidente da República, tenta numa entrevista muito recente, distinguir o seu apoio ao Primeiro-Ministro, do seu apoio à personagem, que exerce esse cargo.
Não se quer comprometer com a personagem, certamente porque não lhe reconhece ou não lhe convém reconhecer, as qualidades humanas exigíveis. Mas aceita, que se mantenha como principal referência nacional o principal agente de transmissão do vírus da “ falta de decência” no exercício da função pública.
Condena assim o Presidente da República, toda a sociedade, a esta dramática situação de fomento da ausência de valores éticos.
Condena o princípio da “Virtude”, que justifica o seu cargo.
Diz o povo ….“Diz-me com quem andas e digo-te quem és”
Fechou-se a participação política aos Homens de qualidade e de valores. Estes, não estão para se sujeitar à apreciação popular, de serem corruptos e oportunistas.
Condena-se uma sociedade a ser governada, pelos que não têm valores e escrúpulos.
Uma nova forma de segregação na participação cívica e política.
Uma democracia asfixiada e neutralizada, pela mediocridade.
Foge a qualidade humana da política, foge a qualidade humana do país. Fogem as empresas e desesperam os empresários, fecham as portas, os que não conseguem ou não querem entrar num jogo sujo da promiscuidade.
A Justiça é arrastada e neutralizada. Um país sem uma Justiça célere e independente, não tem qualquer hipótese de futuro.
A ansiedade do controlo da sociedade, criou uma teia legal de tal forma confusa e até contraditória, que neutraliza a Justiça. A corrupção banalizada pelos políticos, origina toda uma rede de promiscuidade e nada é conclusivo, não há condenações.
Não acreditam os investidores estrangeiros, nem os portugueses nesta sociedade, gerida pela ausência de valores.
O desemprego é uma consequência e um sinal já demasiado visível, desta nossa grave doença social.
O Estado suporta hoje, o que será impossível de manter, os rendimentos de mais de seis milhões de portugueses.
Não há formação nas escolas públicas, onde se legaliza a incapacidade de reprovação e se fomenta a “não aprendizagem”.
O problema nacional não é, nem económico, nem financeiro, nem social.
O problema é de um regime, que por não ser capaz de cumprir o seu princípio da virtude dos políticos, se fixou na ausência de valores e na mediocridade dos seus protagonistas.
Este regime matou o princípio monárquico da “Honra” e está-nos de novo a conduzir-nos para o princípio do “Medo”, que caracteriza os despotismos.
Continuam os servidores públicos, nas tomadas de posse a fazer formalmente o seu juramento…
” Declaro pela minha Honra, que cumprirei solenemente as funções que irei desempenhar”
Como a “Honra”, já não é referência essencial da sociedade, o juramento é um mero formalismo, que já ninguém exige, a começar pelo próprio Presidente da República.
A verdadeira mudança, que Portugal exige, não é possível já através dos partidos políticos, nem através de mais ou menos poderes constitucionais a atribuir ao Presidente da República.
Precisamos de associar o princípio da “Honra” ao princípio da “Virtude”.

José J. Lima Monteiro Andrade

terça-feira, 9 de março de 2010

A divisão da Riqueza e o fim de uma Nação.

"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade.
Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber.
O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém.
Quando metade da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.
É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."
Adrian Rogers, 1931
Vem a propósito esta evidência, para uma análise da situação crítica, a que se chegou em Portugal.
A herança de um sector público gigantesco e absorvente da riqueza nacional, associada à doutrina do Estado Previdência, levou a que em Portugal, seis milhões de portugueses vivam dependentes do erário público.
Insustentável, sobretudo para um país sem políticas sectoriais de fomento de investimento no sector produtivo.
Este sistema económico insustentável, que não encontra respostas políticas que não sejam as do seu agravamento, está já a iniciar o rápido caminho do fim de um sonho.
Esse sonho terrível que tivemos, que trouxe a ilusão de podermos viver acima das nossas próprias possibilidades, sem um esforço colectivo de trabalhar intensamente, para aumentar a nossa riqueza e os nossos rendimentos.
Assumimos o papel de pedintes e dependentes bem comportados, na convicção de que a União Europeia, salvaguardaria esta nossa lamentável ilusão.
Agora é a União Europeia, que nos exigirá o apertar violento do cinto e exigirá a redução drástica do nosso nível de vida.
O mais grave, é que entretanto, se perderam valores essenciais, pela ausência de um projecto nacional.
Perdeu-se a postura social da exigência.
Não somos exigentes para os governantes, não somos exigentes na educação dos filhos no seio das famílias, não somos exigentes para com a ética e a moral, não somos exigentes na Escola pública, não somos exigentes para com o Estado.
Uma sociedade que foi caminhando no sentido da decadência e está próxima já da dissolução.
Existem reconhecidas as receitas, de políticas administrativas, económicas e financeiras.
Mas não existe nunca a capacidade de as por em prática.
Vivemos hoje perante a displicência de encarar a realidade, a ténue esperança de que ainda poderemos por algum tempo manter a ilusão e a grande incógnita se termos ainda força colectiva para ultrapassar e vencer esta grave crise preservando a independência.
Muitos quando confrontados com esta premissa dirão….que se lixe a independência, quero é continuar a poder ir ao supermercado, ter a minha vivenda, os meus dois carros, e passar férias no Algarve.
Outra consequência desta triste caminhada. Muitos já não estarão mobilizáveis, quando finalmente surgir um projecto mobilizador nacional.
Não poderemos adiar mais.
Portugal tem ainda muitas potencialidades de criar riqueza e de afirmação no mundo moderno.
Temos o mar, somos o maior país da Europa. O mar que está por explorar e de onde sairão as matérias primas do futuro da humanidade.
Temos os emigrantes que pelo seu sentimento, poderão estar disponíveis para esse projecto colectivo, sendo os investidores de que carecemos.
Temos a Lusofonia, uma herança da nossa capacidade do passado, que é uma enorme reserva de riqueza e oportunidades.
Então do que precisamos?
Precisamos da motivação nacional. Da renascença do nosso espírito do passado, que mobilizou, um nobre povo que foi pioneiro da globalização e criou um Império.
Precisamos de uma mudança radical na nossa sociedade, que volte a transmitir a confiança e a exigência.
Precisamos de uma referência motivadora e mobilizadora, para que nos voltemos a unir num projecto que a todos entusiasme.
A República criou a decadência, retira-nos a liberdade de ser um povo e encaminhou-nos para um sistema que nos retirará a liberdade individual.
Pela liberdade de cada um, pela liberdade de sermos um povo soberano, pela identidade que nos poderá preservar, pelo projecto que nos dará futuro…teremos primeiro de recuperar o Reino de Portugal.
É a hora de olhar para os nossos filhos e de lhes salvaguardar as referências, as raízes e um lugar de paixão, onde possam viver livres e felizes.

José J. Lima Monteiro Andrade

sexta-feira, 5 de março de 2010

LIBERDADE; Queremos ser LIVRES e Queremos Portugal.

Todos estamos condicionados mentalmente pela permanente propaganda, que nos invade a casa, diária e permanentemente.
Acusam-se os monárquicos de divisões crónicas, porque estes não estão sujeitos a disciplinas condicionadoras de opinião.
Fazem-se apelos nas hostes monárquicas a falsas unidades, muitas vezes sem entenderem o que dizem, pois esses apelos são simplesmente mensagens de uniformização do pensamento, afrontosa, para com a atitude de coerência monárquica.
Ser monárquico é ser Livre, pensar livremente e ser coerente nas atitudes.
Livre e patriota, porque reconhece as suas raízes, a sua identidade e ama o seu território, a sua condição de português.
Não entendem esta liberdade, todos quantos vêem nas estruturas ou nos partidos, a sua prioridade de fidelidade e de prestação de serviço.
Esses estão todos condicionados e nunca conseguirão entender o verdadeiro sentido do que é ser Livre. Têm disciplinas e obrigações, que colocam em primeiro lugar, como prioridade das suas atitudes e dos seus discursos.
Ser monárquico é precisamente dar prioridade à liberdade e a Portugal e essa condição, permite-lhe também ter a sua ideologia política e fazer livremente a sua escolha partidária e eleitoral.
Um Rei é livre, precisamente porque não depende de ninguém, de nenhum compromisso eleitoral, de nenhum partido, de nenhuma agência ou grupo de influência, de nenhuma estrutura de apoio.
Reclama a doutrina republicana, que essa liberdade pode ser conseguida por qualquer cidadão. Todos temos já a experiência suficiente para saber que isso nunca é possível, dada a influência dominante dos partidos políticos, pois só eles têm os meios para eleger um Presidente da República e nenhum homem livre tem condições de ultrapassar esta circunstância.
Por este facto e também porque nasceu com esse desígnio, só um Rei tem por postura e exigência, a postura de total independência.
Só com um Rei conseguiremos assegurar a independência de um Chefe de Estado, pois só um Rei é verdadeiramente livre.
Seremos também nós livres, será livre uma sociedade, que tenha esta referência de liberdade, como símbolo e como Chefe de Estado.
Um Rei é livre e coerente com o seu estatuto de liberdade, não pode assim permitir privilégios partidários, não pode aceitar dominâncias institucionalizadas, não pode aceitar limitações a expressões do exercício de liberdade da sociedade.
Um Rei é coerente e exigente, com o seu nobre estatuto de liberdade, de unificador de um povo com a sua história e por esse facto é o garante de projectos próprios, da independência e da soberania, condições essências para a motivação colectiva de toda a sociedade.
Seremos então livres ou libertados, pois desaparecerão as disciplinas obrigatórias de pensar e de agir. Surgirão naturalmente novas ideias e ideologias, novos partidos e novos projectos.
Todos estamos espartilhados e condicionados.
As obrigações assumiram um papel demasiado pesado em cada um de nós e sobrepõem-se claramente à livre iniciativa de cada um, condição essencial para a motivação, de criar, de arriscar, de construir, de participar e de colaborar.
Criamos um sistema que nos limita, que nos impede de exprimir, nas nossas qualidades e nas nossas potencialidades.
Desapareceu a vontade colectiva, porque não há um projecto de futuro, apenas vivemos o drama da demonstração cada vez mais degradante da mesquinhez e ausência de ética dos políticos.
Insustentável ainda por cima, porque demasiado caro e demasiado estrangulador da produção de riqueza.
Sistema insustentável, regime em agonia.
Voltemos então ao sonho da liberdade e da democracia.
Encontremos a nossa referência essencial, que salvaguarde esse sonho e que garanta a representatividade política do povo.
Salvemos Portugal, desta agonia degradante, desta dissolvência progressiva.
Exijamos a afirmação de quem tem a obrigação, porque nasceu com esse desígnio, de nos unir num projecto nacional.
Porque queremos continuar a ser independentes, portugueses, Homens e Mulheres livres.

José J. Lima Monteiro Andrade

quarta-feira, 3 de março de 2010

A solução? A independência do Estado

Finalmente começam a surgir expressões da realidade.
A crise foi o sintoma de uma doença profunda, cuja origem já começa a ser expressa por alguns comentadores políticos, que conseguem libertar-se da pressão do condicionamento partidário, que obriga ao discurso do politicamente correcto.
Passaram alguns já à análise da doença, que origina a crise estrutural da sociedade portuguesa.
A doença é grave e só com uma profunda mudança pode permitir a nossa sobrevivência.
Pois de sobrevivência se trata. Preservação da independência, da soberania e também da democracia.
O Estado português, não é independente e está sujeito a todas as formas de pressão.
Interesses económicos, empresarias, sociais e partidários, interligam-se numa promiscuidade evidente, influenciam e controlam, de tal forma, que já não existe autonomia dos poderes constitucionais e impossibilitam a existência de um projecto nacional, capaz de fazer no presente a projecção do nosso futuro.
País sem projecto, é um país sem rumo.
Em que todos apenas querem, ou sobreviver ou usufruir, mas em que a apenas alguns esse privilégio está reservado, restando a todos os demais a descrença evidente a que chegou a maioria da população portuguesa.
A solução está na cura definitiva da doença grave, que Portugal padece á 100 anos.
A solução está num regime que salvaguarde e aprofunde a democracia, mas dê a indiscutível segurança de independência do Estado a todas as formas de pressão.
A solução está num Estado independente e digno, que se liberte de toda a promiscuidade e finalmente reponha na sociedade portuguesa a liberdade e o conceito de respeito pela representatividade dos eleitos.
A solução na independência do Estado, que permita a reposição da responsabilidade dos servidores públicos e a afirmação dos compromissos políticos.
A solução está num Estado independente, que exija a verdade, a honestidade, o mérito, de todos os agentes políticos e do serviço público.
A solução está na eliminação do engano do idealismo republicano, pois nunca um Presidente eleito, pode permitir uma Chefia de Estado independente e livre, das pressões e conluios partidários.
Só um Rei é livre e independente, só uma Chefia de Estado livre e independente, poderá garantir a independência do Estado português e o renascimento do sonho de liberdade e democracia e o futuro de Portugal.
A solução é o projecto Monárquico. A Monarquia moderna, constitucional e democrática, que restaure a motivação dos portugueses e a sua confiança no Estado.
O projecto monárquico é a alternativa, mas a sua afirmação na sociedade portuguesa carece de uma atitude de determinação e convicção, que cada vez mais se assume como a mais importante e patriótica das exigências.
Portugal necessita urgentemente desta afirmação da mensagem monárquica, apresentada como credível, porque é a solução.
A responsabilidade pessoal de D. Duarte de Bragança, está hoje num patamar de exigência patriótica, que o obriga à afirmação a toda a sociedade portuguesa, de que é nele que está a garantia indispensável, a única possível para alcançar a independência do Estado.
Tremenda e histórica responsabilidade. Que não o obrigam apenas a Ele, mas a todos os que entendem esta evidência, em particular aos monárquicos e às suas organizações.
O povo português anseia e entenderá esta mensagem.
A mensagem será mobilizadora e entusiasmante, porque é a verdadeira solução.
A solução que fará renascer a esperança e a motivação nacional.
Mas para que assim seja. Não há mais lugar à hesitação, mas sim à afirmação.
Acreditar.
Portugal precisa de voltar a acreditar.

José J. Lima Monteiro Andrade

domingo, 28 de fevereiro de 2010

A angústia republicana e a neutralização monárquica

A neutralização dos monárquicos, na luta do fim do Regime

Todos sentem que o regime não tem já capacidade de reposta.
Todos sentem que o verdadeiro problema nacional é esta Oligarquia partidária, que esmagou o sonho de liberdade e democracia. Que criou um sistema de dominância partidária, que não permite soluções sustentáveis.
Todos sentem e querem mudar.
As próximas eleições presidenciais são assim, o momento decisivo de uma luta política para a mudança do regime republicano.
Sucedem-se as expressões dessas tentativas de mudança, começam a aparecer os protagonistas das diversas versões do caminho a seguir.
Procura-se a derradeira tentativa de regeneração da República.
A primeira e óbvia das acções destes diversos agentes da tentativa de regeneração republicana, foi naturalmente a neutralização dos monárquicos.
A Monarquia não poderá fazer parte da agenda política, desta luta intensa e derradeira, que agora se inicia.
A candidatura de Fernando Nobre, teve também esse objectivo.
Esta candidatura, tenta comprar o silêncio dos monárquicos, ao dar-lhes esta inconcebível compensação, de um monárquico ( ex-monárquico como se define), ser o verdadeiro arauto do idealismo republicano.
Tem ainda esta candidatura, o objectivo de retirar eleitorado a Manuel Alegre, mas favorece claramente a candidatura de Cavaco Silva.
Este, não quer assumir o papel de liderança da tentativa de regeneração, através do reforço dos poderes presidenciais e do caminho republicano presidencialista.
Cavaco Silva, rejeitou sempre a possibilidade que o eleitorado lhe deu, para assumir esse protagonismo, sobretudo agora, onde poderia ser o promotor de um governo de bloco central, ou de um outro governo de iniciativa presidencial, dado o descrédito público evidente do actual Primeiro-Ministro e da incapacidade deste Governo minoritário para ultrapassar a actual crise portuguesa.
Os defensores do presidencialismo, vêm assim goradas as suas expectativas em Cavaco Silva.
A verdadeira incógnita desta luta, está na postura que os dois partidos dominantes irão assumir.
Levantam-se já os defensores do bloco central. O Pacto Económico e Estabilidade, será um passo nesse sentido. De Pacto, poderá evoluir para Acordo partidário de regime.
Uma candidatura autónoma deste bloco central, poderá vir a ser a solução de preservação do actual sistema e regime.
Também poderá vir a ser uma tentativa de regeneração, se desse acordo fizer parte a revisão constitucional e o reforço dos poderes presidenciais.
O Partido Socialista tem assim de optar, entre duas opções, deixar-se afundar com Sócrates, ou ser protagonista de uma solução. São já evidentes as manifestações de mal estar dentro do PS, decorrentes desta dilema.
As eleições no PSD, serão também decisivas para a viabilização desta solução.
O mais importante que se vai jogar nestas eleições internas do principal partido da oposição, é precisamente a sua postura futura….de apoio a Cavaco Silva, ou de apoio ao acordo de regime e formação de uma solução de bloco central dominante.
Dado o “clubismo” prevalecente nestes dois partidos (PS e PSD), não parece muito viável, que a solução do PSD, venha a ocasionar uma possibilidade de acordo de regime entre estes partidos.
E se assim for, será dada mais uma oportunidade a Cavaco Silva de assumir-se como o protagonista do presidencialismo, mas dada as suas tibiezas anteriores, são poucos os que nele já acreditam.
Ficaremos então na mesmíssima situação. Com ou sem novas eleições legislativas.
Um Pacto de Estabilidade sem consistência política, nunca será cumprido…o regime continuar-se-á a afundar.
Se todos fossemos lúcidos, poderíamos ver as coisas de outra maneira.
Se um Chefe de Estado não estivesse dependente destas lutas partidárias, como seria bem mais fácil encontrar soluções de consenso partidário de governação.
É por isso, que nas Monarquias as crises políticas são facilmente ultrapassáveis, pois não existem crises de regime como esta, de tanta gravidade, que gera tanta confusão e lutas partidárias, tanto desvio das atenções e das energias, que não têm nada a ver com o indispensável acordo maioritário para a resolução da crise económica e financeira nacional.
Mas a premissa foi precisamente a neutralização da mensagem monárquica, porque para os republicanos, sempre esteve primeiro a defesa da sua doutrina e do seu regime, do que os interesses dos portugueses e de Portugal.
José J. Lima Monteiro Andrade

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Monárquicos aprisionados.

Há muitos monárquicos que estão aprisionados.
Não apenas porque muitos estão acomodados, outros resignados, muitos descrentes e confusos.
Esses estão, como a generalidade dos portugueses,já não acreditam nem no regime, nem no sistema político, não sentem, nem ouvem, nenhuma mensagem alternativa que os estimule, mobilize e lhes dê esperança.
Mas há também outros, que através da manipulação, da instrumentalização e da adesão a estratégias incoerentes, engrossam toda uma fileira de agentes políticos, cujo significado é apenas o de gerar ainda mais confusão e tem sempre como consequência derradeira, um bom contributo para a preservação do regime republicano e do actual sistema político.
Há assim, os que agora estão a ser mobilizados para aderirem a manipulações, que pretensamente querem alterações de um parágrafo de uma alínea da Constituição da Republica.
Como se isso fosse possível, através de uns escassos milhares de assinaturas, como se isso de alguma forma fosse um contributo sério, para o projecto monárquico, como se isso fosse coerente.
De que serve essa estranha ideia, de querer transformar uma Constituição da Republica, na Constituição de Portugal?
Não percebem esses arautos, de que isso seria ainda dignificar mais, o regime que afirmam querer mudar?
Substituir na Constituição da República, a noção que está expressa “ sistema republicano…”, pela outra “sistema democrático…”, seria uma enorme derrota para os monárquicos, na medida em que passariam a ser estes (monárquicos) os defensores da oficialização constitucional, de que democracia é sinónimo de regime republicano.
Pois é precisamente a antítese desta tese, que os monárquicos convictos defendem…
O regime Monárquico é aquele que melhor pode preservar a democracia politica representativa e aquele que salvaguarda as liberdades individuais.
Isso nunca poderá ser alcançado, através de mudanças pontuais e muito menos apenas de uma alínea de um artigo, pois há muitos outros preceitos estabelecidos na actual Constituição que defendem e preservam a Republica, o que de resto é absolutamente natural, uma vez que ela estabelece e regula, o regime republicano.
O Partido Popular Monárquico, ao delinear esta estratégia tem absoluta consciência do serviço que está a prestar á Republica e procura apenas através do nome que mantém, conseguir a sua sobrevivência no actual xadrês partidário, uma vez que os partidos dominantes lhe ficarão reconhecidos, pelos seus préstimos de mobilizar monárquicos incautos e o ajudarão na sua luta, contra a desejável e indispensável extinção.

Uma nova tentativa de manipulação surge agora através das candidaturas à presidência da Republica.
Lança-se a triste panaceia, de alguns destes candidatos são simpatizantes ou mesmo monárquicos convictos.
Muitos monárquicos são seduzidos para esta nova tentativa da sua manipulação.
Mesmo que se tentem encontrar justificações, através de argumentações sem consistência real, para justificar que não haverá qualquer contradição na coerência de um monárquico que se candidata a umas eleições para Presidente da República, então haverá sempre, que perguntar, qual é o seu objectivo político perante a mudança de regime.
Ou seja, Manuel Alegre e o Dr. Fernando Nobre, nos seus manifestos de candidatura, terão de se afirmar muito claramente, sobre a sua posição face ao regime político.

Perante estas duas tentativas de confundir muitos portugueses, que se afirmam como monárquicos, há que exigir também uma posição de clarificação das organizações monárquicas, nomeadamente da Causa Real e das Reais Associações.
Não podem continuar estas organizações, a manter a cabeça debaixo da areia, face a tão evidentes tentativas de confusão e de divisão entre os monárquicos.
A sua recusa e escusa sistemática, de intervenção sobre as questões políticas e sobre os graves problemas da sociedade portuguesa, têm ocasionado a descrença e o alheamento de muitos monárquicos e só tem contribuído para o surgimento de novas dinâmicas organizativas dos monárquicos que não se revêem neste inaceitável imobilismo de intervenção.
Mas agora já não se trata de mobilizar novas vontades e afirmações para uma Causa, mas sim de evitar uma divisão e uma manipulação de muitos dos seus fiéis aderentes.
Já não é apenas, pelo triste abdicar de serem os protagonistas de uma mensagem mobilizadora de que carecem todos os portugueses e de salvação nacional.
É que se não responderem e se não se afirmarem inequivocamente estarão também a ser cúmplices.
Este é o meu apelo, como monárquico e como primeiro subscritor da Petição para a realização da Convenção Monárquica 2010.
Uma afirmação esclarecedora, firme e consensualizada, da atitude e do projecto monárquico para Portugal, não pode ser mais adiada.
Unamo-nos então para libertarmos todos os monárquicos prisioneiros.
Afirmemo-nos na defesa da Liberdade para todos os portugueses.
Porque Portugal precisa de nós.
José J. Lima Monteiro Andrade

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A derradeira tentativa de regeneração da República

A 3ª República reconhece a sua agonia.
Os partidos políticos sufocaram-na através do seu domínio.
Não há democracia sem partidos, como não pode haver democracia sem a livre participação cívica da sociedade organizada nas suas mais diversas formas de representação social e sectorial.
Mas os Partidos dominantes, tudo quiseram dominar.
Criaram a mais perigosa das mentalidades anti-democráticas…só através de nós (partidos políticos) haverá sucesso.
Só através de nós as empresas serão bem sucedidas, as autarquias serão bem geridas, as audiências televisivas serão garantidas, as falências serão evitadas, as carreiras políticas e sociais serão favorecidas, os privilégios serão alcançados.
Uma situação que foi desgastando a credibilidade dos políticos, do regime e do sistema.
Uma situação que foi desmobilizando o interesse e a vontade participativa de uma população que se sente desmotivada, angustiada e descrente.
Tenta em quase desespero a 3º Republica, salvar esta triste imagem de um regime em total falência, que leva um país com nove de séculos a um verdadeiro estado de dissolução.
Anunciam-se as candidaturas independentes dos partidos políticos, às eleições presidenciais.
Estas candidaturas tentam fazer renascer a verdadeira e genuína mensagem republicana.
É a tentativa de regeneração do idealismo republicano, em que se apresentam candidatos à Chefia do Estado, como homens livres da sociedade civil isentos de compromissos partidários.
Primeiro Manuel Alegre, que logo se viu enfeudado pelo Bloco de Esquerda e agora não terá outro remédio se não o de aspirar ao apoio do seu partido do coração, o seu partido Socialista.
Falhava desde logo a tentativa idealista de Manuel Alegre e de alguns dos seus apoiantes, o que de resto era previsível dada a sua militância partidária.
Este falhanço imediato da candidatura de Manuel Alegre, origina a abertura de espaço político para a candidatura de Fernando Nobre.
A mesma mensagem, em espaço politico/ideológico muito próximo, mas agora através de uma personalidade que dava mais garantias de independência e isenção partidária.
O monárquico Fernando Nobre, transforma-se assim no verdadeiro arauto da regeneração do idealismo republicano.
A contradição preserva-se através da ausência de convicções de uma personalidade, que aceita assim renegar a sua doutrina, pela promessa de apoios daqueles que são ou têm sido os verdadeiros sustentáculos da República.
A maçonaria, tenta assim por esta via, a regeneração do seu regime republicano parlamentarista.
O discurso de apresentação de Fernando Nobre, não deixa margens para dúvidas, onde nunca é esquecida essa palavra tão simbólica de “cidadania”.
Sabe bem a maçonaria como base de sustentação da regime parlamentar, que o momento é delicado e que a vitória de Cavaco Silva, poderá vir a ser o primeiro passo numa evolução galopante, no sentido do reforço dos poderes presidenciais e no caminho para a via republicana do presidencialismo.
Mas não sabemos ainda, se todas as pedras estão já em cima da mesa deste jogo de salvação da 3ª República.
Onde vai apostar o Partido Socialista? Este Partido Socialista dominado pelos políticos não submissos às seitas secretas e apenas aos interesses e ambições dos seus dirigentes.
O mais provável, será a opção por uma candidatura autónoma, através de uma personalidade que motive a simpatia de uma faixa do chamado centro direita, que não se reveja na perspectiva presidencialista, que representará Cavaco Silva. Fala-se já em Jaime Gama.
Fernando Nobre e o idealismo republicano, estarão condenados e Manuel Alegre ficará reduzido ao apoio do Bloco de Esquerda.
A Oligarquia partidária voltará a vencer, pois todas as regras do jogo estão viciadas.
O idealismo republicano não tem já ele próprio lugar nesta Oligarquia, em que se fixou a 3ª República.
A 3ª Republica prossegue assim o seu processo de auto-condenação e de auto-extinção.
A descrença sairá reforçada e Portugal cada vez mais fragilizado.
José J. Lima Monteiro Andrade

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A auto-estima de um povo é a única garantia de liberdade.

Não me apetece ficar calado e deixar de alertar, para com a mais grave das dependências … a dependência face à mentira pública.
Fico transtornado com estupidez, com a inconsistência dos discursos, atitudes ou propostas e com a manipulação feita através da sobranceria medíocre de alguns, tendo ou não, consciência dos seus actos.
A coerência já não é uma exigência social, pois a ansiedade de protagonismo é tão grande, que basta o pronunciamento de uma palavra, para justificar publicamente uma opção, que deveria estar consolidada em cada arauto, como uma convicção.
Assim será, se alicerçarmos esta tendência de sermos uns iletrados e como tal permissivos.
Ninguém já é coerente, com o que diz ser.
Apátridas que se dizem portugueses, capitalistas que se afirmam socialistas, republicanos que se afirmam monárquicos, servidores de interesses que se afirmam representantes do povo.
Uma sociedade onde este nível de esquecimento da exigência de coerência, está condenada à mais grave das vulnerabilidades….a mentira passa a ser a verdade.
Todos passaremos a andar à deriva e todos seremos enganados.
Portugal corre este sério risco. O risco de ultrapassar o grau mínimo de exigência para com os seus dirigentes, pelo retrocesso cultural das suas actuais elites.
A estas elites mesquinhas, nunca interessará a cultura da identidade, nem a referência dessa identidade com o seu passado, porque isso seria o grande obstáculo à sua afirmação.
Os interesses económicos e financeiros internacionais e das organizações políticas, que com eles partilham uma sinistra cumplicidade, associam-se a estas elites pequenas, produzindo uma nova moda e programando cada vez mais todas as sociedades, num determinado sentido.
Ser apátrida passou a moda.
As expressões de deturpação histórica, são um reflexo lamentável, do ponto a que chegamos, em que ser apátrida passou a moda...uma moda que nos asfixia e que não permite que sejam os portugueses a definir o seu próprio caminho e de escolher o seu próprio futuro.
Portugal não é pequeno...só o é actualmente, por que as suas elites também o são.
Mas essas elites não representam um povo de grande envergadura, com uma enorme dignidade, que tem de ser respeitada.
Esta moda, entrou em Portugal pela mão da propaganda republicana e consolida-se cada vez mais pela cedência a uma União Europeia, sem consistência política, nem identidade social, permissiva à nova doutrina da globalização.
Resistirão a toda esta tendência de uniformização de hábitos, costumes e dependências, apenas os povos, os países e as Nações, que consigam preservar uma referência de identidade. Que consigam preservar a unidade, com base na sua auto-estima e no seu orgulho próprio.
A diferenciação humana está ameaçada, a diferenciação dos países e das Nações está ameaçada… ameaçada está assim a LIBERDADE.
Governos supranacionais, estarão cada vez mais facilmente justificáveis.
A burocracia eliminará a democracia, porque a representatividade deixa de ser motivante e passará a ser empecilho. Estaremos então todos resignados.
Resistirão os povos e os países com referências de unidade, com o seu passado, onde a auto estima do povo esteja preservada.
As monarquias serão os últimos baluartes da democracia e da liberdade e provavelmente os pioneiros de uma nova era da história mundial.
José J. Lima Monteiro Andrade

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Sobre a candidatura do Dr. Fernando Nobre à Presidência da República.

Verifico com alguma surpresa, que a anunciada candidatura do Dr. Fernando Nobre suscitou algum entusiasmo entre personalidades monárquicas.
Dizem-me até alguns, que o candidato terá essa simpatia ideológica.
Como sou monárquico e prezo a minha coerência, vejo numa eleição para a Presidência da República, o principal acto de sustentação do regime.
Para os republicanos também o é, pois uma eleição presidencial, é um acto periódico do povo avalisar o regime republicano. Um referendo periódico, como defendem.
Contrariamente a algumas teses que por aí se defendem, até acho que a actual Constituição da República portuguesa e a legislação eleitoral é muito democrática, uma vez que não impõe o voto obrigatório, como acontece em algumas outras Repúblicas.
Também não perfilho dessa ideia romântica, ingénua ou outra coisa, muito divulgada entre os monárquicos republicanos, de que mudando alíneas da actual Constituição se abram quaisquer portas para a alteração do regime.
A actual Constituição da Republica, não é, nem nunca será, a Constituição de Portugal, mas sim a que regula e preserva o actual regime.
Estes equívocos, são uma forma subtil de mascarar os serviços que muitos que se afirmam monárquicos prestam ao regime republicano. Muitos deles por manifesta ingenuidade, outros por subserviência e conveniência pessoal ou partidária.
Uma candidatura presidencial é assim, desde logo, um inequívoca afirmação do candidato de legitimação e lealdade para com o regime republicano.
Não pode ter outro sentido, pois caso contrário estriamos a considerar que esse candidato não era uma pessoa de bem, consideração que não faço para com o Dr. Fernando Nobre.
Também a coerência monárquica de cada um de nós, tem de assumir uma atitude política consistente, perante o acto eleitoral para uma Presidência da República.
Uma eleição presidencial, é sempre um referendo periódico ao regime republicano.
Um Presidente da República só poderá ser empossado se a maioria do eleitorado participar nesse acto. Caso contrário nunca o Tribunal Constitucional poderia validar essa eleição.
Sendo isto tudo uma realidade, então qual é a única atitude de coerência monárquica possível?
A única em que me revejo em consciência é a abstenção a esse acto eleitoral.
Como poderíamos acreditar na coerência de d. Duarte de Bragança, se a sua atitude para com esse acto eleitoral, não fosse essa?
Quem pode acreditar na mensagem monárquica, sabendo que os defensores das virtudes de um Chefe de Estado não eleito, vão apoiar uma eleição presidencial?
A credibilidade depende da coerência…coerência no discurso e na atitude.
A candidatura do Dr. Fernando Nobre é assim uma sua afirmação republicana…que pode parecer ter o sentido útil pelo facto de ser autónoma e independente dos partidos dominantes, mas na realidade é uma afirmação de ingenuidade política e uma forma de confundir os portugueses monárquicos, que anseiam por vir a ter um Chefe de Estado livre e Independente, que só um Rei consegue ser.
É assim uma forma subtil de disfarce republicano, de uma mensagem consistente e coerente, como é a mensagem monárquica.
Também uma expressão de ingenuidade política, que só irá promover atrasos numa dinâmica afirmativa de alternativa à 3ª República.
Como contributo para o esclarecimento público de todos os monárquicos portugueses, sugiro a ponderação da frase que vem deste as Cortes de Lamego que afirmaram Portugal e o nosso primeiro Rei, D. Afonso Henriques.
(Só) O Rei é Livre e Livres somos nós.
Nos somos livres, nosso Rey he livre, nossas mãos nos libertarão.

José J. Lima Monteiro Andrade

domingo, 14 de fevereiro de 2010

A palavra ao Rei

A palavra ao Rei

O que nos faz falta
Alguém, que diga em voz alta
O que ansiamos todos ouvir.
Uma voz desgarrada,
Desta cinzenta carneirada,
Que nos leve de novo a sentir.

A sentir que somos um povo,
A sentir orgulho de novo,
Que existe ainda Portugal.
Uma voz determinada,
Que seja o símbolo afinal,
Da mudança por todos desejada.

Não pode ser uma voz qualquer,
Não basta falar, não basta escrever,
É preciso que tenha toda a credibilidade.
Só uma Voz, esse discurso pode fazer,
A Voz símbolo da nossa nacionalidade,
Da nossa vontade e do nosso querer.

Que se levante então essa voz.
Ela está latente e no meio de nós.
Ela precisa da nossa motivação,
Ela precisa de sentir em nós confiança,
Demonstremos-lhe isso sem hesitação,
Fale ao povo, D. Duarte de Bragança.

Diga o que sente,
Diga que está presente,
Afirme a sua vontade e determinação,
Dê-nos também essa confiança,
Afirme a sua indiscutível vocação,
Ser a Voz, a mensagem de esperança.

Fale em nome de seus avós,
Suscite a emoção em todos nós,
Suscite o orgulho e a paixão.
Eleve bem alto a sua voz,
Voz que será determinante, essencial,
Que fará renascer no povo a motivação,
Que fará encontrar de novo Portugal.

José J. Lima Monteiro Andrade